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Ano novo, vida nova?

Ano novo, vida nova?

Este é mais um clichê que a maioria das pessoas repetem ano após ano sem, porém, experimentarem as mudanças que sonham ou necessitam. É possível que este ano seja diferente? Não sabemos. Mas, uma coisa é certa: as mudanças acontecerão, independente de nós tentarmos ou não. E pior, nem sempre são para melhor.

O ano que passou provou, como nunca, que “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor a resposta da língua” (Provérbios 16.1). Nenhum planejador estratégico do mundo empresarial conseguiu prever o cenário que enfrentamos, nem mesmo depois de declarada a pandemia do coronavírus, arriscavam-se no mercado.

Os videntes de fim de ano acertaram que alguns artistas morreriam, mas não foram capazes de dizer como. Poderia ter sido um ano promissor para eles se tivessem revelado o que estava por vir como assolação do mundo, mas seus guias não foram capazes de tal proeza. Restou a frustração.

Não tenho a intenção de afrontar ninguém com estas palavras. São apenas constatações de que não podemos subestimar a natureza, tão pouco sermos arrogantes com uma visão antropocêntrica inabalável. A palavra de Deus nos adverte: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3.5).

O ser humano é apenas um pequeno item da criação. Embora tenha sido feito à imagem e semelhança do Seu Criador (Gn 1.26,27), o homem pecou e foi destituído da glória de Deus (Rm 3.23), tornando-se um ser caído e sujeito ao caos resultante do pecado (Rm 8.19-22). Portanto, necessita de redenção, visto que não é autossuficiente.

Disto isto, é possível afirmar que não adianta virar a folha do calendário sem virar a página da nossa vida. As cores, as moedas, as festas ou simpatias são inúteis diante da impotência humana para redimir-se a si mesmo. É tempo de reconhecer nossas limitações e necessidades e buscar, sinceramente, Àquele que pode nos socorrer.

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar (Isaías 55.6,7). Eis aí a oportunidade de uma nova vida em um novo ano.

Conselhos infernais

Conselhos infernais

Quero começar o texto desta semana fazendo uma pergunta: você aceita um conselho do Diabo? Ao ler a epístola de Paulo aos Efésios, encontramos no capítulo 4, versículo 27, as seguintes palavras: “Não deis lugar ao diabo”. Estas palavras foram escritas a mais de dois mil anos. Será que elas ainda têm relevância atualmente?

A época em que estamos vivendo é pautada, a maior parte do tempo, em comentários de bancadas de fofocas, travestidos de jornalismo com aparente defesa da liberdade de expressão, mas, no fundo, só querem impor suas opiniões, principalmente quando o assunto envolve o povo de Deus.

É comum personalidades da TV e/ou da internet se pronunciarem sobre assuntos religiosos e uma grande massa de pessoas reproduzirem suas falas – muitas vezes, fora de contexto – sem pensarem nas consequências. Até alguns que se dizem crentes fazem isso quando tais palavras ratificam suas opiniões em um dado momento, mesmo que não haja respaldo bíblico. Será esta uma decisão sábia?

A palavra de Deus narra acontecimentos em que espíritos malignos tiveram permissão para enganar pessoas a respeito de suas decisões. Neste artigo, vamos refletir à luz da Bíblia a fim de encontramos alguma resposta para a pergunta acima.

A morte do rei Acabe

Acabe foi um dos piores reis que governou Israel. Sua idolatria e feitiçaria eram sem precedentes. Em sua rebelião contra Deus, foi diversas vezes exortado pelos profetas para que se arrependesse de seus pecados, mas ele nunca deu ouvidos.

E aconteceu que ele resolveu começar uma guerra contra os Sírios, inimigos de longa data dos israelitas. E o Senhor usou esta guerra para destruí-lo de uma forma inusitada. Um espírito maligno se propôs a usar profetas para mentirem ao rei sobre a guerra e ele acreditou:

1 Reis 22

19 Então ele disse: Ouve, pois, a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda. 20 E disse o Senhor: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. 21 Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe disse: Com quê? 22 E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim.

Ao ler essas palavras, você pode perguntar: mas porque Deus permitiu tal coisa?

Ora, caro leitor, se você ler todo o capítulo vai descobrir que Acabe não era inocente, pois já havia cometido diversas atrocidades. E o salário do pecado é a morte. Mesmo assim, ainda houve um profeta de Deus que foi lá, enfrentou a mentira dos falsos profetas e avisou o rei sobre a cilada.

Sim, eram cerca de quatrocentos falsos profetas que sempre diziam o que o rei gostava de ouvi, mas nesse dia eles não estavam apenas bajulando ao rei, eles foram usados por um espírito maligno para levar o rei e seus soldados direto para a morte.

Refletindo nestes acontecimentos, podemos perceber que o inimigo de nossas almas está constantemente tentando contra nossas vidas e a mentira é a sua principal forma de trabalho. Mesmo o Senhor revelando pelo seu profeta o que estava acontecendo, Acabe não acreditou e preferiu o conselho do inferno que o levou à morte.

O crente no Senhor Jesus Cristo também precisa estar atento às supostas revelações e conselhos que recebe diariamente; precisa orar buscando o discernimento espiritual para não cair na armadilha de crer apenas naquilo que é conveniente. Porque se ouvirmos os conselhos infernais e os levarmos adiante certamente cairemos em condenação e só nos restará o inferno.

O desafio da Igreja diante da incredulidade

O desafio da Igreja diante da incredulidade

Há uma incredulidade velada em nossos dias. Se antigamente as pessoas pecavam por acreditar cegamente em líderes religiosos – independente da religião –, agora, pecam por incredulidade generalizada. E eu vejo que a igreja tem subestimado essa questão. Uma multidão de pessoas já não tem vínculo religioso e vivem sem responsabilidade alguma para com o sagrado. E entendo, em minha modesta opinião, que não é culpa do ateísmo.

Podemos dizer, de forma simples, que o ateísmo é a ausência de crenças na existência de divindades, enquanto o teísmo é entendido como a crença na existência de Deus ou deuses. Essas duas correntes se opõem há séculos, cada uma à sua maneira, tentando converter simpatizantes e opositores das suas ideias. Muitas vezes, esse embate é teórico e elaborado, no entanto, há aqueles que preferem não esquentar a cabeça com isso.

Em uma sociedade cada vez mais plural como a ocidental – embora o mundo globalizado já tenha impacto também em países mais conservadores – as pessoas seguem o fluxo da correria do trabalho e do convívio social, quase sempre alheios aos assuntos relacionados à espiritualidade. Em meio a esta massa, vai se cristalizando um grupo crescente de pessoas sem religião, que chamo aqui de ‘ateísmo leigo’, por falta de um termo melhor.

Eles não militam pela causa dos ateus teóricos, mas também não creem. Suas conversas, muitas vezes, revelam traumas com instituições religiosos, ressentimentos com os líderes – que às vezes nem ficam sabendo o que aconteceu – e uma descrença generalizada em qualquer sistema de fé, ou, quando creem, baseiam-se em seus próprios pressupostos.

Então, qual o desafio da igreja diante dessa incredulidade leiga?

A nossa missão, enquanto igreja, é produzir sentido na sociedade em que vivemos a partir dos textos das Escrituras Sagradas para que as pessoas entendam e creiam no evangelho. Se a maneira como vivemos ou pregamos não está produzindo resultados convincentes, então está faltando algo e não podemos subestimar a relevância desta questão.

Quero apontar aqui, em minha pouca experiência pastoral, três atitudes que podem ajudar a igreja superar esse desafio e retomar sua missão de modo mais eficiente:

  1. Um evangelho íntegro:

O apóstolo Paulo pregou aos gálatas e consolidou uma igreja firmada no evangelho, mas logo que ele se ausentou a igreja teve que lidar com falsos mestres que tentavam desvirtuar a mensagem de Cristo. Mas, leia a resposta de Paulo a essa questão:

Gálatas 1.6 – Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; 7 – O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. 8 – Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. 9 – Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

  1. Uma cultura de idoneidade:

A palavra cultura está diretamente relacionada ao cultivo. Muitas pessoas crescem na Igreja ouvindo o evangelho, mas logo que tem contato com o mundo sucumbem às tentações e ignoram o ensino que receberam. Há também aqueles que vieram com suas experiências pecaminosas do mundo e querem continuar com elas na Igreja. Estas pessoas não cultivaram o hábito de glorificar a Deus. A cultura delas não é idônea para uma vida com Deus. Mas, veja o que diz a Bíblia para quem quer andar com Deus:

Efésios 4.27 – Não deis lugar ao diabo. 28 – Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. 29 – Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.

  1. Uma linguagem compreensível

Eu fico aborrecido quando ouço um pregador exortando a igreja a evangelizar e ganhar almas para Cristo, mas metade de seu discurso não pode ser compreendido, em partes porque grita demais, em outras porque usa palavras difíceis para fingir sabedoria.

Ora, se os crentes ali presentes não estão assimilando tal oratória, como poderá um ímpio compreendê-la de modo que queira receber a Cristo? Será apenas mais uma noite frustrada para o pregador que não viu a congregação reagir à sua prédica como ele esperava e um culto cansativo para os ouvintes que voltarão vazios aos seus lares.

Entendo que, dentre muitas estratégias que uma igreja pode usar – além da oração e estudo bíblico – estas três atitudes são indispensáveis para encarar o desafio de salvar pessoas leigas espiritualmente e que, em sua maioria, estão cansadas de religião e, principalmente, de denominações e líderes evangélicos.

Descanse no Senhor!

Descanse no Senhor!

As pessoas estão cansadas e oprimidas e a origem disso pode ter diversos fatores“.

Cansaço é uma das palavras do momento. Da TV ao balcão do comércio – que voltou a atender presencialmente –, de especialistas em entrevistas à população na vida real, ouvimos as pessoas falando de seus medos, perdas e cansaço, que já existiam, mas, foram agravados com a pandemia em que estamos vivendo. E a pergunta é: como lidar com isso?

A teimosia do ser humano nem sempre lhe permite enxergar a melhor opção. Há pouco tempo, a internet, a TV e as livrarias estavam cheias de conteúdo ensinando como ser mais produtivo, influenciar pessoas, promover o engajamento e outras fórmulas para o sucesso. Então, veio o coronavírus e vimos – às vezes, com surpresa – a inutilidade da maior parte dessas ideias em um tempo de crises reais.

Mas, o homem não admitindo sua finitude, faz novas proposições. Desta vez, são receitas para lidar com o caos deixado pelo vírus. Dentre muitas, estão as filosofias humanistas para vencer o cansaço e o esgotamento mental. É um jeitinho da criatura dizer que é autossuficiente e, por isso, não precisa de Deus.

Caros, leitores e leitoras, precisamos pensar de maneira sábia ao buscar respostas para nossas necessidades e dilemas diários. Pois, somente assim, saciaremos nosso corpo com suas necessidades básicas, daremos à nossa alma o descanso verdadeiro e teremos esperança viva para nosso espírito, a saber, uma eternidade com Deus.

  1. Qual a origem do cansaço?

O cansaço físico também pode ser um problema, no entanto, sabemos que é só parar ou mesmo organizar a agenda e tudo se resolve. Aliás, é isso que está sendo vendido pelos especialistas midiáticos, certo? Porém, o problema não para aí. Há algo mais profundo acontecendo à humanidade. As pessoas estão cansadas e oprimidas. A origem disso pode ter diversos fatores, dentre eles, podemos destacar:

  • o acúmulo de problemas desta vida, que podem ser de ordem pessoal, familiar, profissional etc.
  • os pecados do próprio ser humano, que resultam em sentimento de culpa, de vergonha, ressentimentos e outros sentimentos opressores.
  • as perseguições por causa da própria fé em Jesus, que na hora de enfrentá-las, muitas vezes, falta apoio e sobram críticas.

Diante de tais situações, precisamos mergulhar mais fundo. Então, vamos ler Mateus 11.28-30:

Mateus 11.28 – Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 – Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 – Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (ARA)

O sentido de “cansados e sobrecarregados” deste texto no original é de alguém que carrega literalmente um peso como o faz os animais ou veículos que transportam cargas. Além disso, oprimidos aqui também tem o sentido figurado que pode indicar alguém que está sobrecarregado emocionalmente, afetado por algum tipo de cerimônia, constrangimento ou mesmo ansiedade espiritual. É alguém que se encontra na condição de ter que suportar um grande peso. E nesse sentido, a maioria de nós compreende bem, pois já nos sentimos assim pelo menos uma vez na vida.

  1. O que Jesus oferece ao cansado?

Jesus faz uma oferta generosa aos que se encontram nesse vale de sofrimento: vir a Ele para ser aliviado. As filosofias humanas são cuidados paliativos a quem está nessas condições. O humanismo, alivia superficialmente a dor, mas camufla o mal no interior, ou seja, o pecado e suas consequências. Mas, o Senhor Jesus Cristo, promete alívio, descanso e leveza para aqueles que se chegam a Ele.

  1. Como descansar no Senhor?

A solução para este problema inclui dois verbos de ação, o que significa atitude de nossa parte. Nós temos problemas e Jesus tem a solução. Mas, faz-se necessário uma atitude de nossa parte em resposta ao que Ele nos oferece. Então, vamos aos dois passos:

a) “Tomai sobre vós o meu julgo” – O verbo “tomar” aqui tem o sentido de levantar algo, pôr sobre si e levar a outro lugar. O senhor Jesus nos ensinou que devemos carregar a cruz. Aquele que o segue, de fato, tem responsabilidades e espera-se de tal pessoa um compromisso fiel. Para muitos, isto é o fardo que eles não querem nem tocar, mas é exatamente o primeiro passo para o alívio dos que estão sobrecarregados. Eu sei que parece um paradoxo, mas é tomando o jugo de Cristo que seremos aliviados de nossas cargas geradas pelo pecado, pelos cuidados desta vida e pelas perseguições à nossa fé. Precisamos recebê-Lo e segui-Lo.

b) O segundo passo para o alívio é prosseguir no processo – O Senhor nos chama a aprender com Ele. Isso pode ser um desafio ainda maior para alguns, no entanto, será também a causa de maior satisfação no final dessa jornada. As duas matérias que precisamos cursar aqui é a mansidão e a humildade e não preciso explicar que Jesus é o Mestre por excelência em ambas.

Dito isto, leitores, volto à pergunta inicial: como lidar com tudo isto? O convite de Jesus está aberto. Ele pode aliviar as mais insuportáveis aflições, dar descanso e paz à tua alma. Ele oferece também o seu Espírito Santo como guia para ajudar a enfrentar o pecado, as aflições desta vida e as perseguições à fé no Filho de Deus. Mateus 11.28 – Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.