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O caos da intolerância

O caos da intolerância

O crente no Senhor Jesus Cristo sabe que não é deste mundo. Porém, muitos cristãos ainda vivem em uma bolha imaginária como se não tivessem responsabilidades com a sociedade em que vivem e isso é muito conveniente para o reino das trevas. O objetivo deste texto é provocar os leitores a uma reflexão sobre o seu papel enquanto discípulo de Cristo na atual sociedade.

Domingo, 19 de outubro, a América Latina alvoroçou-se com cenas de igrejas chilenas em chamas. As imagens que correram o mundo mostram os incendiários anticristãos comemorando, além de pichações que incentivam a violência e intolerância religiosa como: “muerte al Nazareno”. Uma realidade vivida diariamente pelos nossos irmãos orientais que surpreendeu, inexplicavelmente – pois não devia -, o Ocidente. Mas, e eu com isso?

O Brasil vive um momento ímpar, uma efervescência daquelas que levam ao menos uma década para se repetir. Chamam de conjuntura, ruptura, polarização e outros nomes difíceis de serem lembrados. No entanto, não é só aqui. Às vezes, estamos mergulhados em nós mesmos e não nos damos conta de que o mundo está vivendo grandes transformações. E o avanço da internet e o fenômeno das redes sociais tem funcionado como catalizadores dessas mudanças.

O Chile está inserido nesse contexto, mas, o processo não começou agora. Segundo o site de notícias da CNN Brasil, milhares de pessoas ficaram feridas e mais de 30 já morreram em protestos naquele país desde outubro de 2019. Neste ínterim, já ouvimos diversas tentativas de leitura do que está acontecendo por lá, inclusive, pronunciamento político-ideológico de brasileiros dizendo que deveria se fazer no Brasil o mesmo que alguns chilenos estão fazendo.

São os sacerdotes do caos. Há quem acredite que este seja a primeira entidade divina a surgir no universo, uma força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos. Esse conceito sofreu muitas mudanças ao longo dos séculos, mas segundo R. J. Rushdoony (A política da pornografia), permanece a crença de que “o caos é sempre fértil, eternamente potente, e quando a ordem e a maturidade tornam-se muito acentuadas numa cultura, faz-se necessário um retorno ao caos revitalizante”.

Com a ascensão do iluminismo, emergiu, à sombra das ciências humanas, a subversão travestida de liberdade. Depois, o século XX testemunhou uma grande ênfase no primitivismo nas artes, bem como na cultura em geral. A busca pela satisfação dos desejos mais primitivos, o retorno ao misticismo e o sincretismo religioso imprimiu uma nova imagem em nossa sociedade. Não do seu Criador, e sim, da criatura. Mas, para isto, faz-se necessária “A morte de Deus”. Por isso, as igrejas queimadas e as palavras de ordem contra Jesus de Nazaré e seus seguidores.

Os dicionários de português definem a palavra tolerância como “o ato de tolerar, aceitar ou suportar”. Esta é uma palavra que está em alta no Brasil e é garantida pela nossa Constituição Federal nos mais diversos aspectos da vida. Porém, os mais barulhentos invocadores deste direito veem apenas uma via para usá-la: a que melhor lhes convém.

Somos um país fragmentado: diversidade religiosa, indefinição política e inumeráveis grupos sociais compõem uma nação vítima do abuso de poder político e econômico. Um povo refém de supostos defensores das minorias, mas, seus objetivos são manobrar as grandes massas a fim de levarem adiante suas pautas progressistas, corruptas e imorais. Ameaçam famílias e instituições religiosas, intimidam e assassinam a reputação de quem se opõem às suas ideias. E, a pior parte, contam com apoio de muitos parlamentares e até de alguns membros do judiciário.

Mas, e eu com isso? Esse cenário de caos ameaça as verdadeiras liberdades e tentam silenciar os embaixadores de Cristo, que já morreu, mas ressuscitou com poder e glória. É, portanto, uma guerra espiritual no mundo material, cujo objetivo é implantar ditaduras ideológicas e alargar os limites do reino das trevas. Estamos todos envolvidos nesta guerra, mas o que fazer?

Ore pela nação

Os judeus foram levados cativos para a Babilônia, o que era um motivo aparentemente justo para odiarem seus opressores, mas leia o conselho que Deus lhes deu: Jeremias 29.7 – E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.

Exerça a cidadania

A começar pelo voto consciente. Amizade, popularidade ou mesmo promessa de emprego não podem ser critérios para a eleição de um candidato. Entregamos a eles o poder de decidir por nós. Novas leis, modelo de educação e demais políticas públicas impactam diretamente nossas vidas e o eleito precisa ter competência e idoneidade que garantam o mínimo de liberdade para vivermos nossas crenças.

Faça sua parte

“Mas, todo mundo faz isso”. Esta é uma afirmação que ouvimos constantemente quando se trata de pequenos delitos ou “pecadinhos”. Mas, é nosso dever como crentes ter um espírito excelente: Daniel 6.4 – Então os presidentes e os príncipes procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. 5 – Então estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra ele na lei do seu Deus.

Os servos de Deus precisam refletir sobre a influência que exercem neste mundo, apesar de não serem daqui. O Senhor Jesus orou por seus discípulos pedindo ao Pai que os livrasse do mal, mas não que os tirasse do mundo. Caros, leitores, temos uma missão aqui e agora: representar o Reino de Deus contra este mundo que jaz no maligno. Façamos enquanto há tempo.