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O cristianismo e a natureza da mentira

O cristianismo e a natureza da mentira

A sabedoria popular moldou a sociedade durante séculos. Embora alguns dos seus ensinamentos fossem tendenciosos, não deixavam de prestar um serviço à formação intelectual e social de cada povo. Assim, nasciam as tradições, formulavam-se as filosofias de vida e se consolidavam as leis. No entanto, com o avanço da tecnologia, sobretudo na área da comunicação, as opiniões já não são tão sólidas como antigamente e quem detém maior controle dos meios de propagação de conteúdo acaba se sobressaindo, sem necessariamente está com a verdade.

Conta-se que certa vez, a mentira e a verdade se encontraram. A mentira disse para a verdade:

– Bom dia, verdade!

A verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva e havia pássaros cantando. Ao ver que realmente tratava-se de um bom dia, respondeu à mentira:

– Bom dia, mentira!

A mentira prosseguiu:

– Está calor hoje.

E a verdade, percebendo que a mentira estava certa pela segunda vez, relaxou.

A mentira então convidou a verdade para um banho no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:

– Venha, verdade! A água está uma delícia.

Assim que a verdade, sem suspeitar, tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se dali.

A verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira. E por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas e vilas. E desde então, é por este evento que, aos olhos de muita gente, é mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade do que a verdade nua e crua.

Essa pequena narrativa acima diz muito sobre o comportamento humano quando o assunto é a VERDADE, um conceito muito discutido ao longo da história. Neste primeiro de abril (data da publicação deste artigo), quero elencar alguns motivos pelos quais não faz sentido a mentira ter um dia para ser lembrada.

          A origem

Os primeiros relatos de que se tem notícias a respeito do dia da mentira são franceses. Segundo artigo da Revista Superinteressante[1], “A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos 9º (1560-1574). Desde o começo do século 16, o Ano-Novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera”.

Com a instituição do calendário Gregoriano, o ano passou a ser celebrado em primeiro de janeiro, mas na França essa mudança só foi seguida dois anos depois, mesmo assim, muitos não aderiram. Então, “Alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior – apelidados de “bobos de abril” – presentes estranhos e convites para festas inexistentes”[2].

A reportagem chama de brincadeira – e poderia até ser, no contexto do século XVI – porém, se consolidou como uma tradição que até hoje as pessoas repetem mesmo sem saberem como ou quando começou. Mas, o fato é que a MENTIRA é real e permeia a história humana desde os primórdios: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira (João 8.44) – ACF.

Outra constatação é que a MENTIRA segue travestida de VERDADE a fim de alcançar os objetivos de pessoas sem caráter. Ela tem usado nomes cada vez mais sofisticados na tentativa de ressignificar sua essência e conduzir os desavisados a abismos inimagináveis. Isso resulta em implicações graves tanto na vida social quanto espiritual.

          Implicações sociais

O acesso à informação cresceu de forma inédita nas últimas décadas conectando todo o globo terrestre e trouxe consigo o estrangeirismo na língua e cultura. Nos deparamos constantemente com novas palavras ou expressões que não conhecíamos. De repente, todo mundo está falando e a gente ainda nem sabe o que é. Um exemplo disso é a expressão “fake news” que tomou proporções inimagináveis no Brasil há pouco tempo, em grande parte, por causa da disputa acirrada da última eleição presidencial, a qual foi disputada com uma enxurrada de notícias falsas de ambos os lados.

Apesar do esforço na retórica política e até mesmo em alas ideológicas do jornalismo, nota-se que não é algo novo, mas trata-se da velha e sorrateira filha do diabo. É só analisar o contexto, refletir um pouco e já vamos perceber que é apenas mais uma tática antiga. Uma palavra sofisticada que logo chama atenção e vira modinha, mas no fim, a sua essência é a velha e conhecida “mentira”.

É espantosa a forma como essas notícias fakes têm um poder de se disseminarem. As pessoas são tomadas por emoções – sejam de ordem política ou idólatra – e se deixam levar pela calúnia e difamação. Às vezes, acusando, outras vezes, defendendo, se empenham em compartilhar boatos sem o mínimo de sensatez. Não buscam a verdade, apenas o que é conveniente ao seu ponto de vista. Foi assim com a ressurreição de Jesus:

Mateus 28:11 – E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido. 12 – E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, 13 – Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram. 14 – E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. 15 – E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje.

O evangelista Mateus descreve nesses versículos como os interesses de homens malignos eram colocados acima da necessidade do povo. Aqueles que se declaravam seus representantes eram os mesmos que enganavam e matavam com base em mentiras. Feitos semelhantes acompanham biografias como a de Nero, imperador romano que incitou a ira contra os cristãos; Hitler, que promoveu o holocausto dos judeus; a rainha Maria, conhecida como a sanguinária; e tantos outros.

A população mundial aumentou e consequentemente cresceu também a quantidade de mensageiros. O surgimento de novas tecnologias e o avanço da internet também colaboram de forma exponencial para a disseminação da informação. No entanto, falta bom senso na hora de passar adiante esses conteúdos e o resultado é uma convulsão social nunca vista antes. Apesar de não representarem algo novo, as ‘fake News’ continuam sendo uma eficiente estratégia de marketing, principalmente por parte dos governos. Seus criadores aproveitam-se da inovação para projetarem seu veneno na sociedade e moldarem o caráter humano segundo suas ideias falaciosas.

          Implicações espirituais

Caro leitor e leitora, você não precisa ser cristão para falar a verdade, mas, precisa de Cristo para ser salvo. E se já O tem, não pode andar na mentira. É triste ver como muitos que se dizem cristãos caem nessas ciladas sem nenhuma prudência ou responsabilidade. Pior ainda, alguns fazem de propósito, sendo os próprios criadores de notícias falsas para defenderem suas ideias egoístas ou projetarem personalidades que se dizem defensores dos princípios cristãos.

Quem compartilha mentiras toma parte na rebelião de Satanás e se opõe a Jesus que é a verdade (João 14.6). Não importa se foi você quem criou a narrativa ou apenas passou adiante o que outros inventaram. O mentiroso é discípulo e cooperador do diabo. Por isso, é importante examinar as Escrituras e meditar diariamente naquilo que elas nos ensinam, examinando também a nossa vida pessoal e nosso proceder diário diante de Deus e dos homens.

João 8:31 – Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; 32 – E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

O mentiroso está sempre tentando justificar o seu pecado. Mas, a Bíblia Sagrada garante que ele não terá parte no Reino de Deus: “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte (Apocalipse 21.8) – ACF.

          Considerações verdadeiras:

O chamado Dia da Mentira é uma data em que as pessoas brincam com o mal porque foram ensinados a relativizar tudo. Independentemente do nome que a mentira receberá nas diferentes culturas e épocas ainda continua sendo a essência do seu pai, o diabo. A mentira, ainda que “pequena”, é a expressa imagem do homem natural, caído e distante de Deus.

  • O mentiroso é amigo do mal e, portanto, inimigo do bem. Suas atitudes e palavras são sempre convenientes a si mesmo. “O ímpio atenta para o lábio iníquo, o mentiroso inclina os ouvidos à língua maligna” (Provérbios 17.4).
  • O mentiroso não reconhece seus pecados e, portanto, não é perdoado, nem se reconcilia com Deus. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1 João 1:8,9).
  • O mentiroso não consegue guardar os mandamentos do Senhor. “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 João 2.3,4).

Oposto a isso está o cristão que não se embaraça com estas coisas porque já tem a mente de Cristo (1 Co 2.14-16) e voltou a ser a imagem e semelhança do seu Criador. Assim sendo, primeiro de abril é dia de falar a verdade, bem como em todos os outros dias do ano. Então, aproveite para compartilhar essa verdade, o evangelho de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo.

 

[1] Leia mais em: https://super.abril.com.br/historia/por-que-1o-de-abril-e-o-dia-da-mentira/

[2] Ibidem