Você é uma Benção na Igreja?

27 de abril de 2025

Floresça onde está plantado

Um dos hinos de nosso livro de cânticos diz assim: “Chuvas de bênçãos teremos. Chuvas mandadas dos céus! Bênçãos a todos os crentes. Bênçãos do nosso bom Deus”. Quando este hino é cantado na igreja uma grande emoção enche nossos corações fortalecendo a nossa fé e esperança.

Nestes últimos anos a palavra “bênção” tem sido citada na maioria das igrejas no Brasil, mais do que as outras palavras conhecidas por todos nós. O povo de Deus é ensinado a pedir, buscar e lutar por bênçãos, e isso soa de maneira agradável, porque o nosso Pai celestial é dono de todas as coisas.

Os versículos mais conhecidos pelos crentes são: “Porque para Deus nada é impossível”. (Lucas 1:37). “Disse-lhe Jesus: Não te tenho dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (João 11:40).” E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”. (Marcos 9:23). Estes versículos e muitos outros nos mostram que a nossa fé alcança todas as coisas de acordo com a vontade de Deus.

A DIFERENÇA ENTRE SER E TER

Sê é uma forma do verbo “ser”, que é um verbo de ligação e indica existência, identidade ou características permanentes. Usamos esse verbo também na forma do imperativo afirmativo para a segunda pessoa do singular (tu). Uma das frases onde usamos esse verbo é “Sê tu uma bênção” ou “tu serás uma bênção”. Essas palavras fazem parte do chamado de Deus para Abraão. (Gênesis 12:1-2).

O verbo “ter” é um verbo transitivo que indica posse ou a existência de algo que se possui. Pode também ser utilizado como auxiliar em tempos compostos. Um exemplo do uso desse verbo é “eu tenho uma casa”, “eu tenho uma motocicleta”. Portanto, usamos esse verbo como uma declaração ou afirmação de posse.

ÁQUILA E PRISCILA

Priscila e Áquila era um casal de judeus que moravam em Roma, mas foram expulsos pelo édito do imperador Cláudio, que expulsou todos os judeus de Roma, então esse casal se mudou para Corinto. Priscila e Áquila se converteram e exerceram um grande trabalho na igreja do Senhor Jesus Cristo.

Este casal tinha como ofício fazer tendas, assim como o apóstolo Paulo. “2E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, ³ E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas. (Atos 18:2-3).

Priscila e Áquila eram cooperadores do apóstolo Paulo. Áquila e sua mulher Priscila, ajudavam a igreja, faziam viagens com o apóstolo Paulo, e faziam um grande trabalho em prol do crescimento da igreja de Cristo.

Para termos uma ideia do trabalho incansável em favor da igreja do Senhor feito por este casal, foi o fato desse casal ter sido usado por Deus para completar a preparação de um dos maiores pregadores da época da igreja primitiva chamado Apolo, pois este com tanto talento ainda faltava conhecer algumas doutrinas e, para isso, o Senhor usou Priscila e Áquila para ensiná-lo. (Atos 18:24-26).

²⁴ E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras.

²⁵ Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João.

²⁶ Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus.

Apolo era um pregador eloquente e poderoso nas Escrituras, mas faltava-lhe entender melhor o caminho de Deus e para isso o Espírito Santo usou Priscila e Áquila, pois eram uma bênção na igreja de Cristo. “Sê tu uma bênção”. Quando nos propomos a ser uma bênção o Senhor nos usa. Eles eram fazedores de tendas e se tornaram instrumentos do Senhor na igreja para instruir um dos maiores pregadores da igreja primitiva.

Áquila e Priscila cederam sua casa para a instalação de uma igreja, era o começo, não havia templo em todos os lugares e por isso este casal cedeu a sua própria casa. As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa. (1 Coríntios 16:19).

A vida de Áquila e sua esposa Priscila é marcada por um testemunho exemplar, pois a sua própria casa foi cedida para funcionar uma igreja, além disso eram profundos conhecedores da Palavra de Deus e foram os responsáveis para completar o entendimento do pregador notável chamado Apolo. Este casal se tornou cooperador de Paulo, no sentido de viajar com ele e ajudarem na obra de Deus e do crescimento da igreja.

Pensamentos para reflexão sobre ser uma bênção na Igreja

“A igreja cresce quando seus membros vivem de tal maneira fé que ficam parecidos com Jesus”.

“A igreja cresce quando os seus membros se importam com o próximo no sentido de ajudá-los a também conhecer a verdade do Evangelho”.

“A igreja cresce quando seus membros estão engajados no projeto de aumentar o número das almas, construir e promover a abertura da igreja para que novos membros venham.

Áquila e Priscila tomaram a decisão de viver o Evangelho e para o Evangelho. Qual foi o resultado para a vida pessoal deles? Certamente hoje que os dois estão no céu, sabem que valeu o sofrimento e as suas lutas, perseguições e provações não foram em vão.

O HOMEM CHAMADO BARNABÉ

Este crente que pertenceu a igreja primitiva marcou a história da igreja quando se propôs a ser uma bênção. Ele foi um dos primeiros crentes, sua história está narrada no livro de Atos do Apóstolos, escrito pelo médico Lucas.

Barnabé era judeu, natural de Chipre, seu nome significa filho da consolação. Então José, chamado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é filho da consolação), levita, natural de Chipre, (Atos 4:36). Após se converter Barnabé começou a ser uma bênção na igreja. Ele viu que os apóstolos precisavam de recursos para manter a ajuda que a igreja dava aos necessitados, ele vendeu sua propriedade e deu aos apóstolos o dinheiro total para que fosse usado nas doações da igreja. (Atos 4:36-37).

³⁶ Então José, chamado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é filho da consolação), levita, natural de Chipre,

³⁷ possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos.

Barnabé é o exemplo de servo de Deus que não tem apego as coisas materiais, ele se entregou ao Senhor Jesus para ser uma bênção em sua igreja. Em seguida conheceremos um pouco mais dos feitos de Barnabé, o homem que teve como propósito ser uma bênção.

E Paulo e Barnabé ficaram em Antióquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor. (Atos 15:35).

Barnabé não tinha pretensão de riquezas materiais, não tinha vaidade de querer ser reconhecido por sua sabedoria. Ele, embora sendo sábio, portava-se de tal maneira que sua vida foi marcada por ensinar e consolar os crentes.

Lucas nos relata quem era Barnabé. Atos 11:20-24

²⁰ E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antióquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.

²¹ E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.

²² E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antióquia.

²³ O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração;

²⁴ Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.

A Palavra de Deus mostra que Barnabé era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Seu testemunho e sua pregação trouxeram muita gente para o Senhor.

A IMPORTÂNCIA DE BARNABÉ NO MINISTÉRIO DE PAULO

Barnabé foi o homem de Deus responsável para levar o apóstolo Paulo aos apóstolos, isto é, foi ele quem recomendou o apóstolo Paulo e deu testemunho que realmente Paulo havia se convertido. Por causa do testemunho de Barnabé, os apóstolos receberam Paulo e o aceitaram. (Atos 9:26-28).

²⁶ E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.

²⁷ Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.

²⁸ E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo.

Este homem se tornou uma bênção na igreja, muitos são os feitos de Barnabé na igreja do Senhor.

SÊ UMA BÊNÇÃO NA IGREJA

Para muitos essa frase “Sê uma bênção” não é tão importante, porque somos ensinados diariamente pelas mídias, vídeos e palestras que devemos buscar as bênçãos, possuir as bênçãos, reivindicar as bênçãos. Muitos ignoram o que o Senhor Jesus Cristo nos ensinou: que se buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar todas as outras coisas serão acrescentadas.

Muitos podem ser uma bênção na igreja cuidando, zelando, evangelizando, pregando, dirigindo, doando bens materiais, aconselhando, visitando, nas viagens missionárias, orando e muitas outras coisas.

Os pastores e missionárias, lideres das igrejas, geralmente contam com pouquíssimas pessoas e por esta razão a casa de Deus não está cheia de gente, geralmente está cheia de vaidade, problemas, doenças, tristezas e dor. Esse quadro pode mudar quando cada um de nós desejar “ser uma bênção”. Áquila e Priscila determinaram ser uma bênção, assim aconteceu também com Barnabé, que entregou sua vida para ser uma bênção na vida dos irmãos da igreja primitiva.

A HISTÓRIA DE UM HOMEM QUE SE PROPÔS A SER UMA BÊNÇÃO

(Sugerimos que o professor(a) dessa classe peça por gentileza que um irmão ou irmã leia esse relato sobre a vida de João Hus, para que toda classe possa ouvir sobre alguém que preferiu ser uma bênção, sem temer a própria morte).

A história de João Hus (1369 – 1415, morreu com 46 anos), é uma das mais marcantes e inspiradoras da Idade Média, especialmente para aqueles que compartilham a fé evangélica. Pastor, professor e reformador, Hus viveu em uma época em que a Igreja Católica Romana dominava o cenário religioso e político na Europa, e questionar suas doutrinas era sinônimo de perigo. Mesmo assim, sua convicção inabalável na Palavra de Deus e no desejo de reformar a igreja o conduziu ao martírio, selando sua trajetória com um testemunho de coragem, fé e amor à verdade.

João Hus nasceu entre o séculos XIV e XV, em Husinec, Boêmia, uma região que hoje faz parte da República Tcheca. Ele foi profundamente influenciado pelos escritos do teólogo inglês John Wycliffe, que criticava a corrupção dentro da Igreja e a venda de indulgências. Hus, sendo um pensador crítico e devoto ao Evangelho, começou a pregar em Praga, desafiando a autoridade papal e clamando por uma volta à simplicidade da mensagem bíblica. Ele acreditava que a verdadeira autoridade estava nas Escrituras, e não nas tradições humanas, o que o colocou em conflito direto com a hierarquia da Igreja.

Como professor e reitor da Universidade Carolina em Praga, Hus rapidamente ganhou seguidores entre estudantes e intelectuais, promovendo o ensino da Bíblia em sua língua nativa, o tcheco. Ele pregava contra os abusos do clero, especialmente a venda de indulgências – uma prática comum que permitia que as pessoas comprassem o perdão de pecados. Sua visão de que a salvação era pela graça mediante a fé, e não por obras ou rituais, ecoava o que mais tarde se tornaria o cerne da Reforma Protestante.

O Caminho para a Fogueira

À medida que Hus se tornava mais vocal, a oposição contra ele crescia. Em 1410, ele foi excomungado pela Igreja Católica por se recusar a se retratar de suas posições. No entanto, Hus continuou a pregar, agora com ainda mais fervor. Ele acreditava que a Igreja havia se desviado do Evangelho e que Deus estava chamando sua geração para uma profunda reforma.

Finalmente, em 1414, Hus foi convocado para o Concílio de Constança, um grande concílio eclesiástico cujo objetivo era resolver uma série de crises internas da Igreja, incluindo o Cisma Papal. Hus foi prometido salvo-conduto para poder explicar suas ideias, mas ao chegar lá, foi preso imediatamente e acusado de heresia.

Durante seu julgamento, Hus se manteve firme. Quando confrontado e pressionado a renunciar suas crenças, sua resposta foi clara: “Prefiro morrer do que ser falso à verdade.” Sua convicção era de que o Evangelho, e somente o Evangelho, deveria ser a base da fé cristã. Ele rejeitou a autoridade da Igreja para sobrepor-se às Escrituras, e isso o condenou.

No dia 6 de julho de 1415, João Hus foi condenado à morte na fogueira. Ao ser levado ao local da execução, ele orou por seus inimigos e entregou sua alma a Deus. Suas últimas palavras, conforme os relatos, foram uma profecia: “Hoje vocês estão queimando um ganso (Hus significa ganso em tcheco), mas daqui a cem anos Deus levantará um cisne que vocês não poderão queimar.”

Essa frase, para muitos, prenunciava a vinda de Martinho Lutero, o reformador alemão que, pouco mais de um século depois, traria à luz a Reforma Protestante, desafiando a Igreja Católica de maneira ainda mais profunda e irreversível.

Mais tarde, os princípios defendidos por Hus ressurgiriam no coração da Reforma Protestante. A coragem de João Hus, sua fidelidade às Escrituras e seu compromisso com a verdade bíblica, mesmo diante da morte, o tornaram uma figura central na história do cristianismo evangélico. Ele não foi apenas um precursor da Reforma, mas um modelo de fé inabalável que continuaria a inspirar gerações de cristãos a seguir a Cristo, custe o que custar. (fonte desse relato: Web/e.b.).

Esse relato sobre a vida de João Hus nos inspira a sermos uma bênção na igreja. Não importa a idade, nossa vida precisa ser uma bênção, mesmo que o preço seja alto, pois quem serve a Cristo será perseguido, humilhado, ignorado, incompreendido, mas no fim terá o galardão que nunca se acabará.

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Sobre o autor

VALMIR
Pastor Ordenado
Registro 001457