Transformados Pelo Poder do Evangelho

10 de maio de 2026

Nas veredas simples do sertão, entre caminhos de poeira e esperança, começou a se desenrolar uma história que muitos hoje lembram com lágrimas nos olhos e fé no coração. No povoado Bananeiras, próximo ao Vamos Vendo, o Senhor começou a juntar Suas ovelhas, cumprindo aquilo que está escrito: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz” (João 10:16).

Tudo teve início quando o pastor Valmir ouviu, por meio da irmã Rosângela, sobre uma família necessitada de ouvir a Palavra de Deus. Movido por compaixão e obediência, ele enviou dois irmãos, entre eles José Newton Ferreira, como mensageiros do Evangelho.

Ao chegarem à margem do riacho do Pinga, avistaram uma senhora descendo a encosta com uma vasilha para buscar água. De longe, ela perguntou o que procuravam. A resposta veio simples, mas carregada de propósito:

Estamos atrás das ovelhas do Senhor, há por aqui?

E o Senhor preparou aquele encontro, ela respondeu: “Tem, pode vir.”

Aquela mulher era Francisca Oliveira. Ao conduzir os mensageiros até sua casa, abriu não apenas a porta de sua residência, mas também o coração. Ali, reunida com seu esposo Valdivino Miguel de Carvalho e seus filhos, ouviu a Palavra que transforma. E como está escrito: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16:31).

Naquele mesmo dia, Francisca se rendeu a Cristo. Ela, que outrora havia sido mãe de santo e praticante de feitiçaria, foi completamente liberta pelo poder de Jesus. Sua casa, antes marcada por práticas espirituais contrárias, tornou-se um altar ao Deus vivo. Logo, toda a sua família também se converteu, e o nome do Senhor passou a ser glorificado naquele lugar.

Pouco tempo depois, durante um culto em Bananeiras, um homem chamado Narciso ouviu a pregação. Antigamente envolvido com práticas espirituais no antigo salão de Francisca, ele hesitou no momento do apelo. Disse que decidiria depois. Mas, naquela madrugada, algo mudou. Ele saltou de sua rede e declarou com convicção: Eu me entrego a Jesus!

E assim se cumpriu a Palavra: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3:15). Sua vida nunca mais foi a mesma, e até o fim de seus dias, deu testemunho fiel.

Em outra ocasião, o pastor Valmir, ao retornar de um culto, ouviu o som de um violão. Aproximou-se e encontrou um homem chamado Olimpio. Ao entrar naquela casa, pregou o Evangelho com ousadia. Olimpio e sua esposa Maria do Carmo aceitaram Jesus. Em poucos meses, aquele homem foi transformado em pregador, e depois consagrado pastor — o primeiro pastor do povoado Vamos Vendo. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” (2 Coríntios 5:17).

Com o crescimento da igreja, os irmãos construíram um pequeno templo no povoado Vamos Vendo, simples, mas cheio da presença de Deus. Era ali que as vozes se levantavam em oração e louvor, ecoando pelas redondezas. Hoje existe um novo templo no povoado Vamos Vendo, muito bonito para a glória de Deus, a Igreja atual é pastoreada por um dos filhos do casal Francisca e Valdivino, seu nome é Pastor Francisco Oliveira.

As vigílias no Morro Grande, também chamado Morro do Bom Gosto, tornaram-se marcantes. Irmãos de todas as idades enfrentavam longas distâncias e difíceis subidas para buscar ao Senhor. Subiam com cordas, mas desciam cheios de graça. Oravam a noite inteira, vivendo o que está escrito: “Clama a mim, e responder-te-ei” (Jeremias 33:3).

Houve noites de prova, como aquela em que a chuva caiu sem cessar. Mesmo molhados, não desistiram. E quando não puderam permanecer no monte, continuaram a vigília na casa de Francisca. Porque entenderam que a presença de Deus não depende do lugar, mas da fé.

Em uma dessas campanhas de oração, ao enfrentarem forças espirituais contrárias, algo inexplicável aconteceu: a corda que o pastor segurava simplesmente desapareceu. Um sinal, para muitos, de que a batalha espiritual era real, mas também de que Deus estava no controle. Pois está escrito: “Porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 João 4:4).

Em outra vigília, no povoado Mata Fria, um jovem manifestou um espírito maligno violento. Foram necessários vinte homens para contê-lo, mas o nome de Jesus prevaleceu. Após horas de luta, o espírito foi expulso. “Em meu nome expulsarão demônios” (Marcos 16:17).

E entre tantos testemunhos, havia também a alegria simples e poderosa da comunhão. Os irmãos do Vamos Vendo caminhavam 17 quilômetros até Piracuruca para participar da Santa Ceia. Iam cantando, sorrindo, cheios de fé. Porque sabiam que não era apenas uma caminhada, era uma jornada espiritual.

Essa história não é apenas memória. É testemunho vivo de que o Evangelho transforma vidas, liberta, restaura e constrói. E como está escrito: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12).

PIRIPIRI

Quando o Pastor Valmir foi ao povoado Vamos Vendo em mais uma de suas visitas pastorais, não imaginava que ali começaria um novo capítulo dessa obra. Ao chegar, o Pastor Olimpio lhe informou sobre uma senhora recém-convertida que estava morando na localidade. Seu nome era Iracema, uma mulher simples, mãe de vários filhos ainda pequenos.

Movido pelo cuidado pastoral, pastor Valmir foi até sua casa. Durante a conversa, Iracema, que aceitou Jesus Cristo no ano de 1992, contou que era da cidade de Piripiri, e que estava ali apenas temporariamente, pois seu esposo trabalhava na região. Disse também que em breve retornaria à sua cidade, com o objetivo de ajudar na libertação e salvação de sua mãe, Maria Felipe, que era atormentada por espíritos malignos. Iracema voltou em 1993, orientada pelo pastor Olimpio, juntamente com o seu irmão Pr. João Batista, após sete meses de oração e jejum. 

Pastor Valmir ia constantemente fazer cultos na casa de Maria Felipe na cidade de Piripiri. O pastor João Evangelista deu um importante apoio. Assim, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, Maria Felipe, se converteu no mês de outubro de 1993, desse ano até aqui essa serva de Deus e sua família são  uma grande bênção. : “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Foi naquela casa que a chama do Evangelho começou a se acender também em Piripiri. E, daquela família, nasceram obreiros para a obra do Senhor: João Batista, Francisco e a missionária Angelina, casada com o pastor Jailson Sousa, frutos de uma semente plantada com fé.

Com o crescimento da obra, o Pastor Olimpio foi enviado para cuidar dos novos convertidos na cidade. O ministério, mesmo com poucos recursos, alugou uma casa simples, localizada em frente à avenida principal. Era um passo ousado, sustentado unicamente pela fé.

Olimpio foi para Piripiri sem salário fixo, sem garantias humanas — apenas confiando na promessa: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades” (Filipenses 4:19). E o Senhor foi fiel. Nunca faltou o necessário.

Enquanto isso, no povoado Vamos Vendo, a liderança foi assumida por Maria de Jesus, filha de Francisca Oliveira, aquela mesma família que havia sido alcançada no início da obra. Agora, o que antes era campo missionário, se tornava também fonte de obreiros.

Assim, a obra continuava a crescer, de casa em casa, de coração em coração. Porque quando Deus começa algo, Ele mesmo sustenta, dirige e faz prosperar. Como está escrito: “Aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Desde 1989, quando o Espírito Santo começou a operar em nossas vidas, muitas maravilhas foram vistas em nosso meio.

Certa noite, durante uma vigília de oração na igreja, algo tremendo aconteceu. Já era meia-noite e muitos irmãos estavam orando e falando em línguas estranhas. Alguns foram arrebatados em espírito. De repente, toda a igreja ficou em silêncio, todos com os olhos fechados. Então, começou-se a ouvir um coral entoando um louvor que nunca tínhamos ouvido antes.

O pastor verificou se o som estava ligado, mas não estava. Ninguém na igreja estava cantando, e mesmo assim o coral continuava. O ambiente foi tomado pelo poder de Deus. Foi uma manifestação tão extraordinária que, naquele momento, ninguém comentou nada.

No dia seguinte, a casa do pastor Valmir ficou cheia de irmãos. Todos perguntavam uns aos outros: “Você ouviu?” E a resposta era a mesma: “Eu ouvi.” Foi um momento único — cremos que anjos cantaram louvores dentro da igreja, em adoração ao Senhor.

As Escolas Dominicais geralmente ultrapassavam o meio-dia, pois não havia como encerrar. O quebrantamento, o avivamento e as maravilhas eram tão intensos que ninguém percebia o tempo passar.

Quanto à forma de adoração com expressões como “aleluia”, “glória a Deus” e outras manifestações de louvor, tudo começou em uma manhã de Escola Dominical. Uma das irmãs começou a glorificar a Deus; em seguida, outra também começou, e de repente toda a igreja estava orando em voz alta, glorificando ao Senhor sem reservas.

Então, o pastor Valmir declarou: “Irmãos, a partir de hoje está liberada a adoração, pois não podemos impedir o povo de Deus de adorar ao Senhor em espírito e em verdade.” (Até aquele momento, não era permitido dar aleluias e glórias a Deus durante o culto.)

A FAMÍLIA CAVALCANTE

Quando o pai do pastor Valmir, chamado José Mariano de Alencar, faleceu na cidade de Colinas, foi necessário que o pastor viajasse de Piracuruca até Colinas. Para isso, ele fretou um táxi de um homem chamado Neném Gonçal, casado com a irmã Graça Cavalcante.

Saímos de Piracuruca em direção a Colinas em um chevete amarelo e, depois de muitas horas de viagem, entre as cidades de São Domingos do Maranhão e Colinas, em uma região de mata, o carro do senhor Neném Gonçal apresentou problemas e não conseguia mais andar. Era alta madrugada e não havia ninguém para ajudar.

Então o pastor Valmir disse ao motorista:

— Não se preocupe, pois o Senhor mandará em breve uma pessoa para nos ajudar.

Depois dessas palavras, em poucos minutos, ouvimos o barulho de uma moto. Era um homem que não conhecíamos. Ele parou a motocicleta e, ao avistar o pastor Valmir, mesmo com pouca luz, disse:

— Tudo bem, pastor Valmir? O senhor por aqui a estas horas?

— Sim, respondeu o pastor. — Estamos aqui porque o carro deu problema.

O homem então respondeu:

— Não se preocupe. Vou até Colinas e logo mandarei socorro.

Dito isso, ele foi embora e, em poucos minutos, enviou uma pessoa com um carro para nos socorrer.

Até hoje o pastor Valmir não sabe quem era aquele homem.

Ao ver essa grande maravilha de Deus, o senhor Neném Gonçal se converteu. Depois, sua esposa e seus filhos também entregaram suas vidas ao Senhor. Assim, toda a família foi alcançada por meio desse grande milagre.

A irmã Graça Cavalcante foi uma grande bênção, juntamente com o irmão Neném, deixando um testemunho marcante de fé e gratidão a Deus.

PORQUE É IMPORTANTE RELEMBRAR A HISTÓRIA

Os versículos a seguir nos mostram a importância de relembrarmos nossa história e assim louvarmos ao Senhor por todas as maravilhas que Ele fez em nosso meio.

Deuteronômio 32:7 

“Lembra-te dos dias da antiguidade, atenta para os anos de gerações e gerações; pergunta a teu pai, e ele te informará; aos teus anciãos, e eles to dirão.”

Salmos 78:3–4 

“O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram, não o encobriremos aos nossos filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor.”

Salmos 77:11 

“Recordarei os feitos do Senhor; certamente me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.”

Lamentações 3:21 

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.”

Josué 4:6–7 

“Quando vossos filhos perguntarem: Que vos significam estas pedras? Então lhes direis que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da aliança do Senhor.”

Êxodo 12:14 

“Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor nas vossas gerações.”

2 Pedro 1:12–13 

“Por isso, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas.”

Juízes 2:10 

“Levantou-se outra geração, que não conhecia o Senhor, nem tampouco as obras que fizera a Israel.”

Devemos sempre contar a nossa história, porque o Senhor tem feito maravilhas em nosso meio.  Dia 26 de maio de 2026 nosso ministério completará 35 anos de fundação. Glória a Deus. 

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Sobre o autor

VALMIR
Pastor Ordenado
Registro 001457