Igreja, uma família missionária

21 de junho de 2026

Texto base: Gálatas 3.6-9 | Versículo-chave: Gênesis 12.3

Introdução: 

A Palavra de Deus afirma que todos os seres humanos pecaram e, por isso, vivem separados da glória de Deus. No entanto, esta não é a vontade do Criador. O propósito do Senhor sempre foi redimir a criação e salvar a raça humana. Para isto, Deus tem usado os próprios seres humanos para tornar sua graça conhecida e preparar a redenção. Em seu plano, Deus preparou uma família, através da qual ergueu uma nação para viver separada das práticas ímpias das outras nações e obedecer à vontade divina. Uma nação eleita. 

É interessante notar como a família está no centro dos projetos divinos. No início, Deus cria o primeiro casal para povoar a terra e cuidar dela como um jardim; no dilúvio, Deus escolhe a família de Noé para preservar a humanidade e os animais; para a redenção, Deus elege a família de Abrão (posteriormente chamado Abraão) para se tornar uma nação separada do mundo ímpio. Desta nação, nasceria o Cristo, Salvador do mundo.

O cumprimento da promessa e manifestação deste Salvador não fugiu do método divino. Deus escolheu José e Maria, um casal que estava começando uma nova família, para trazer a salvação à humanidade. Mais uma vez a família se tornou o meio pelo qual Deus se revela e traz esperança. Posteriormente, esse conceito se amplia e é aplicado ao contexto da igreja formada por aqueles que integram o grupo de Jesus que vai de aldeia em aldeia anunciando salvação até aos confins da terra. Neste estudo, vamos refletir sobre como nosso entendimento de família e igreja pode redefinir a missão quando nos tornamos meios para a graça de Deus agir entre os seres humanos.

A família de Abraão: uma esperança para as nações

Quando Josué, sucessor de Moisés, exortou os israelitas – já na terra prometida – mencionou os “deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio” (Josué 24.15 – ACF), referindo-se à idolatria de seus ancestrais, parentes de Abraão que viviam em Ur dos Caldeus, além do rio Eufrates (compare com as versões NVI ou NVT).

Para contextualizar as palavras de Josué, é preciso lembrar que o povo que sobreviveu ao dilúvio havia se rebelado novamente como está escrito em Gênesis 11.1-8. Então, o Senhor Deus os dispersou para que povoassem a terra. Porém, cada um seguiu se afastando cada vez mais do Criador e buscando seus próprios interesses. Assim, se entregaram à idolatria e serviram a outros deuses, revelando a face caída de todos os seres humanos:

Romanos 5.12 – Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. – ACF.

Apesar da rebelião constante, o Criador não desistiu da humanidade e buscou um homem para que, através da sua família, trouxesse a salvação ao mundo caído. A chamada de Abraão em Gênesis 12 marca uma virada histórica para o povo que andava em trevas. O Senhor Deus disse que Abraão deveria deixar a sua terra e a sua parentela para ir a um lugar desconhecido, pois tinha planos para ele e sua família. Desta forma, Abraão tornou-se o primeiro homem a ouvir o evangelho e também o primeiro missionário transcultural:

Gálatas 3.8 – Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. – ACF.

Abraão não discutiu. Ele acreditou na Palavra de Deus, pegou seus bens e as pessoas que viviam com ele e obedeceu (Gn 11.31; 12.5). A família de Abraão não tinha uma Bíblia, visto que esta ainda não havia sido revelada, mas estava em comunhão o suficiente para ouvir a voz de Deus e tinha uma fé forte o bastante para obedecer a um propósito maior, mesmo quando este ainda não estava claro. A renúncia a falsos deuses e a obediência da família de Abraão ao Senhor trouxe esperança à humanidade perdida:

Gálatas 3.14 – Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito. – ACF.

A família de José e Maria: a personificação da esperança

A existência de Jesus como homem histórico é uma verdade inegável. Mas, muitos incrédulos ainda questionam sua autoridade como Salvador. Isso não é uma surpresa. A Palavra de Deus afirma que as pessoas naturais não compreendem as coisas espirituais (1 Co 2.14,15). Mesmo assim, precisamos nos preocupar com aquelas pessoas que ainda não ouviram sobre o verdadeiro sentido de Jesus ter vindo ao mundo. Nossa família pode ser o meio pelo qual Deus alcançará essas pessoas, mas precisamos ouvir o chamado divino.

Quando o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela daria à luz ao Cristo, ela também fez perguntas sobre o que não compreendia, mas logo que foi esclarecida, respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1:38 – ACF).

 Semelhantemente, José não entendia o que estava acontecendo, mas ao ser orientado pela palavra de Deus, revelada através de anjos, obedeceu:

Mateus 1.24 – E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher.

Leia também: Mateus 2.13,14,19-21.

José e Maria eram tementes ao Senhor – assim como Abraão e sua casa – e estavam construindo um lar para a glória do Senhor. No entanto, o plano de Deus para esta família era muito maior. O mesmo Deus que elegeu a família de Abraão para erguer uma nação através da qual revelaria o Salvador ao mundo, estava agora elegendo uma nova família, descendente de Abraão, para encarnar a grande salvação que os crentes aguardavam. Por isso, Maria cantou: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu Espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lucas 1.46,47– ACF).

O evangelista João declarou em primeira pessoa que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14 – ACF).

A esperança que os crentes do Antigo Testamento tinham, sem ver, se tornou carne, nascido de mulher. A personificação da esperança profetizada antigamente se materializou como a grande Salvação (Is 6.14; Mt 1.21-23), revelando a graça divina e fluindo através de uma família temente a Deus e obediente à sua Palavra. Uma família que disse “sim” para o plano de Deus, mesmo quando não entendia todos os detalhes de “como” isso iria acontecer.

O Senhor disse que, em Abraão, abençoaria todas as famílias da terra. A família de José e Maria foram abençoadas por causa de Abraão (Gn 12.3).Esta bênção inclui também a nossa família (Gl 3.26-29). Porém, não é só isso. Através de Maria, o Salvador veio ao mundo em carne e, através de nós, o Salvador pode chegar a muitos pecadores, em Espírito e em verdade, para que sejam salvos (Rm 10.13).

A família de Jesus: uma igreja missionária

A Bíblia Sagrada não revela muitos fatos sobre a infância de Jesus. A prioridade dos evangelhos é relatar seus atos poderosos durante seu ministério terreno. Dentre eles, está a sua capacidade de liderar e ensinar. Seu exemplo é citado em uma infinidade de livros corporativos e cursos de liderança, dada a sua capacidade de liderar e sua resiliência mediante conflitos. Contudo, sabemos que sua obra na terra tem como objetivo fazer a vontade do Pai, ou seja, proclamar liberdade aos cativos, ou, em nosso contexto, fazer missões.

Um dos momentos em que Jesus enfatiza a importância de fazer a missão que o Pai lhe entregou está relatado em três evangelhos (Mt 12.46-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21). Na ocasião, Ele está rodeado por muitas pessoas de modo que seus parentes não conseguem se aproximar e alguém avisa que eles “estão lá fora e querem vê-lo”. Sua resposta pode ser surpreendente para alguns:

48 Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? 49 E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; 50 Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe (Mt 12.48-50 – ACF).

Aqui, Jesus não subverte o significado de família nem diminui a sua importância. Porém, quando o assunto é fazer a vontade do Pai, a missão do Reino de Deus se sobrepõe aos interesses terrenos. Abraão deixou a parentela para trás enquanto consagrava sua família a Deus e tornava-se um instrumento do plano redentor para a humanidade.

Maria e José abriram mão de uma vida convencional para serem instrumentos de Deus vivendo como refugiados no Egito até que Jesus estivesse seguro para dar continuidade ao plano redentor da humanidade. Chegou a hora em que Jesus, como homem, também abriu mão de alguns vínculos parentais para que pudesse se dedicar melhor ao plano redentor para a humanidade. Dito isto, precisamos refletir: qual tem sido nossa participação neste plano redentor? Temos respondido ao chamado divino? Nossa família tem sido instrumento para abençoar outras famílias da terra? Temos entendido a igreja como nossa própria família missionária?

Conclusão

A maioria das pessoas concorda que a igreja deve ser uma família. Mas nem todos estão dispostos a agirem como uma família, principalmente no mundo controverso em que vivemos atualmente. Precisamos refletir sobre essa relação e sobre nossas próprias origens.

Nosso ministério, MPFA, foi fundado por uma família de outro estado que atendeu ao chamado divino e começou esta obra em Piracuruca-PI. Desde então, muitas outras famílias se deslocaram dando origens a novas igrejas em diferentes regiões do país, o que resultou no crescimento do ministério. São dezenas de igrejas que existem porque muitas famílias se mantiveram fiéis aos valores, princípios e doutrinas.

O Espírito Santo continua chamando nossas famílias para se engajarem na missão do Reino de Deus. São famílias distintas e com chamados diferentes, mas todas servem ao mesmo Senhor e Rei – Jesus Cristo. Portanto, ouça a voz de Deus. Renuncie à sua própria vontade e deixe que o plano redentor alcance outras vidas através de você e sua família. Ore para que o seu lar seja uma via pela qual a graça de Deus flui e produz salvação.

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Sobre o autor

prjosue
Pastor Ordenado
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