A História Que Deus Escreveu em Piracuruca

3 de maio de 2026

Na manhã luminosa de 26 de maio de 1991, na cidade de Piracuruca, o céu parecia testemunhar algo que ia além de um simples ajuntamento humano. Às nove horas, debaixo da sombra generosa de uma mangueira no bairro Guarani, na rua Batalha, teve início um culto que não apenas marcaria a fundação de uma igreja, mas o nascimento de um mover espiritual que ecoaria por gerações: a Igreja Cristã Pentecostal e o começo do Ministério Pentecostal Fé em Ação.

Referência Bíblica: Atos 2: 1-4. 

Tudo era simples e, justamente por isso, profundamente autêntico. Um quintal emprestado por uma senhora de fé, uma pequena casa ao lado que acolhia as crianças para a primeira Escola Bíblica Dominical e um grupo de irmãos reunidos com corações cheios de expectativa. Não havia templos suntuosos, nem recursos abundantes, mas havia algo maior: a presença de Deus.

O Pastor Valmir, recém-chegado do Maranhão na noite anterior, carregava consigo não apenas o cansaço da viagem, mas a alegria pelo nascimento de seu terceiro filho, um sinal de vida nova que parecia refletir o que Deus estava fazendo ali. Ao saudar os irmãos, iniciou-se o louvor. Hinos simples, vozes sinceras e um ambiente que lembrava a igreja primitiva, não havia instrumentos e nem aparelho de som, tudo simples, assim como no começo da igreja:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (Atos 2:42)

As crianças foram encaminhadas à pequena casa, enquanto, sob a mangueira, o Pastor abriu a Palavra. Sua mensagem era clara e carregada de convicção: era preciso permanecer firme, pois tudo aquilo estava sendo dirigido pelo Espírito Santo. Não havia garantias humanas, mas havia direção divina.

“Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor.” (Zacarias 4:6)

Ao final daquele culto, nasceu também a visão: cultos nas casas, reuniões em escolas cedidas pela prefeitura. E assim foi feito. Cada reunião era uma semente plantada em fé.

Pouco tempo depois, veio a direção: buscar um salão. Deus mostrou o lugar, uma casa simples na Rua João Facundo, atrás da rodoviária. O proprietário foi encontrado em sua propriedade, às margens da estrada para Alto Alegre, e ali mesmo concordou em alugar o imóvel. O salão da frente tornou-se o primeiro espaço fixo de culto. Pequeno, com bancos rústicos de madeira e uma mesa improvisada como altar, mas cheio da glória de Deus.

Foi ali que, em uma conversa aparentemente comum, nasceu o nome que marcaria o ministério. O cooperador José Newton disse: “Pastor, nós temos que ter fé e ação.” Diante de todas as dificuldades e perseguições e naquele instante, como um sopro do céu, o nome foi revelado, o pastor Valmir disse: Ministério Pentecostal Fé em Ação.

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” (Tiago 2:17)

Os dias que se seguiram foram intensos. Deus operava com poder: vidas eram transformadas, enfermos eram curados, oprimidos eram libertos. Um verdadeiro avivamento tomava forma. Havia temor, os crentes se quebrantavam e o avivamento acontecia em cada culto, uns pedindo perdão, outros chorando perdoavam, e declaravam que não queriam mais as coisas do mundo.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)

Mas também vieram as lutas. Em uma noite de culto, adolescentes começaram a jogar bola em frente ao salão, perturbando a reunião. O confronto com um pai influente revelou que a obra enfrentaria resistência. Ainda assim, o povo permaneceu firme. Certa vez, a casa onde o pastor Valmir morava foi apedrejada, além da difamação que se espalhou pela cidade, essas difamações foram criadas pelos que se diziam crentes.

“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem…” (Mateus 5:11)

O Pastor e sua família viviam com simplicidade extrema, em uma casa emprestada, sem salário fixo. Mas nunca faltou o essencial.

Nos primeiros anos do Ministério Pentecostal Fé em Ação, a caminhada do pastor Valmir foi marcada por simplicidade, sacrifício e uma fé inabalável. Naqueles dias, não havia salário fixo. A igreja ainda estava em formação e não possuía condições de sustentar financeiramente o pastor. Ainda assim, isso nunca foi impedimento para o avanço da obra.

Durante o dia, o pastor se dedicava intensamente à evangelização. Percorria ruas, visitava casas, anunciava a Palavra e realizava cultos onde houvesse oportunidade. Seu principal meio de transporte era uma simples bicicleta Monark verde, que se tornou símbolo daquele tempo de esforço e dedicação. Em algumas ocasiões, também utilizava um carro Parati azul, já usado, mas que foi de grande utilidade para ampliar o alcance do trabalho evangelístico.

No início, o pastor viveu em uma casa cedida, gesto que demonstrava o cuidado de Deus através de pessoas que apoiavam a obra. Posteriormente, passou a morar em casas alugadas, enfrentando os desafios comuns de quem está começando algo novo, sem estabilidade financeira. Foram tempos difíceis do ponto de vista humano, marcados por limitações e incertezas.

No entanto, espiritualmente, foram anos de grandes experiências com Deus. A provisão nunca faltou. Mesmo sem recursos abundantes, sempre havia o necessário. A fidelidade divina se manifestava de formas simples, porém constantes, sustentando o pastor, sua família e o início do ministério.

Assim, entre lutas e vitórias, lágrimas e conquistas, o Ministério Pentecostal Fé em Ação foi estabelecido sobre bases sólidas: oração, trabalho árduo, dependência de Deus e amor pelas almas. Esses primeiros anos não foram apenas um começo, mas um alicerce que moldou a identidade e a missão do ministério para as gerações futuras.

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” (Salmos 23:1)

A obra crescia, e com ela a necessidade de espaço. Novas casas foram alugadas, inclusive para abrigar o Colégio Evangélico Emanuel (hoje Escola Fé em Ação), onde educação e fé caminham juntas. E então, em 1993, veio mais um passo de fé: a busca por um terreno para construir o templo.

Na Rua Dr. Resende, após uma caminhada guiada por Deus, o Pastor apontou o local exato onde o templo seria erguido. Um terreno simples, com capim e galpões de madeira. Ali, o proprietário aceitou vender um lote, concedendo 30 dias para pagamento. E como sempre, Deus proveu.

“Porque para Deus nada é impossível.” (Lucas 1:37)

Com o terreno pago, iniciou-se a construção do alicerce. Homens e mulheres trouxeram o que tinham: pedras, areia e ferro. Cada um contribuía como podia. Era o cumprimento vivo da Palavra:

“Cada um contribua segundo propôs no coração…” (2 Coríntios 9:7)

O alicerce foi levantado, oito metros de frente por vinte de comprimento. Muitos olhavam e duvidavam: “Como esse povo vai construir isso?” Mas eles sabiam: não era obra de homens, era de Deus.

E assim, debaixo de uma mangueira, com poucos recursos e muita fé, nasceu uma obra que não seria contida pelas limitações humanas. Porque quando há fé em ação, o céu se move  e o impossível começa a tomar forma.

Nos primeiros anos da Igreja Cristã Pentecostal em Piracuruca, as viagens evangelísticas do pastor Valmir e dos irmãos eram marcadas por simplicidade, esforço e uma fé inabalável. Não havia recursos materiais, mas havia um ardor missionário que impulsionava cada passo dado na obra do Senhor.

As saídas aconteciam geralmente por volta das quinze horas da tarde. Sem motocicletas ou carros disponíveis, o meio de transporte era a bicicleta — instrumento humilde que se tornava veículo de salvação. Estradas de terra, longas distâncias e o sol forte do interior não eram obstáculos, mas parte do chamado. Em algumas ocasiões, quando o caminho era interrompido por riachos ou trechos alagados, os irmãos desciam das bicicletas e as carregavam sobre os ombros, atravessando com coragem e determinação. Nada podia impedir o avanço do Evangelho.

As viagens alcançavam diversas localidades da região, como Vamos Vendo, Bananeiras, Barragem de Piracuruca, Brasileira Velha, Lontras, Catarina, Lagoa de Baixo, entre muitas outras comunidades. Em cada lugar, realizavam cultos evangelísticos ao ar livre, muitas vezes embaixo de árvores, em terreiros simples ou à beira das estradas. Ali, a Palavra de Deus era anunciada com poder, acompanhada de oração, louvores e testemunhos que tocavam os corações.

O retorno dessas jornadas acontecia por volta da meia-noite. O cansaço físico até poderia existir, mas era vencido pela alegria espiritual e pelo senso de missão cumprida. Havia uma disposição sincera de fazer tudo por Jesus Cristo, sem reservas, sem reclamações. Cada viagem era uma demonstração de amor pelas almas e de obediência ao chamado divino.

Essas experiências marcaram profundamente a história da igreja, lançando fundamentos de fé, perseverança e compromisso com a obra missionária. Foram dias de sacrifício, mas também de muitas conquistas espirituais, onde o Evangelho foi levado a lugares distantes, transformando vidas e edificando uma igreja viva e atuante.

AOS QUE JÁ ESTÃO NA CASA DO PAI

Recordamos com carinho e profunda gratidão os irmãos e irmãs que fizeram parte do ministério e hoje já partiram para a eternidade. Suas vidas foram sementes plantadas com fé, dedicação e amor à obra de Deus.

A Missionária Débora Alencar, com seu espírito firme e coração disposto, deixou marcas de compromisso e serviço. Rita Ferreira, exemplo de perseverança, sempre presente nas lutas e vitórias da caminhada cristã. Valdivino e Francisca Carvalho, que com simplicidade e fidelidade contribuíram para o crescimento do ministério, foram os primeiros a se converterem no Vamos Vendo, e depois deles muitos se converteram. 

Antônia Rodrigues de Alencar, mãe do Pastor Valmir, que partiu em 1991, ela apoiou o pastor Valmir a ser um servo de Deus e pastor, mesmo antes de se converter, após sua conversão ela foi batizada em Piracuruca pelo próprio filho. Antônio Coelho, um homem de fé, Verônica Xavier, partiu ainda adolescente, uma menina abençoada. Maria Veríssimo, uma serva fiel, humilde e servidora. Francisca Feitosa, uma mãe que orava pelos filhos, sempre trazia a foto de todos eles para a igreja e orava. 

Gervasina e Remédio Cardoso, cujas vidas refletiam cuidado, zelo e entrega. Lúcia Brito, lembrada por sua fé constante. Narciso, cuja presença foi sinal de firmeza e dedicação. Antônio, pai da Missionária Angelina, que deixou um legado de valores e temor a Deus, em sua família há três pastores e uma missionária.  

Manoel Brito, um piracuruquense que morava em Teresina, crente, diácono da igreja no bairro Morada Nova, um homem de Deus que deixou um legado. Antônio de Pádua e Luana Kelly, também membros da igreja no bairro Morada Nova, servos que serviram ao Senhor. 

Zenaide Ramos, mulher de fé e coragem, mulher de oração e Chico Bento, cuja alegria e disposição eram contagiantes. Cecílio, sempre pronto a servir com humildade. E também Pedro, Nazaré, Júlio, Tereza e Maria Lina, de Esperantina, que contribuíram com amor e fidelidade à obra do Senhor.

Isabel Felipe, crente fiel, membra da igreja em Piripiri, centro, uma mulher de oração, ajudou muito a igreja e o ministério orando. Luís Maximiano, um ancião servo de Deus, uma bênção. 

Cada um deles deixou uma história que permanece viva em nossas lembranças. Seus exemplos continuam a inspirar aqueles que seguem na caminhada, fortalecendo a fé e renovando o compromisso com o ministério. Esses e muitos outros membros que dedicaram suas vidas à igreja de Deus. Que suas memórias sejam sempre honradas, e que o legado que deixaram continue frutificando nas vidas de todos que tiveram o privilégio de conhecê-los.                                     

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Sobre o autor

VALMIR
Pastor Ordenado
Registro 001457