A Linda Festa Está Chegando

21 de dezembro de 2025

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14)

INTRODUÇÃO

Desde o ano de 1991, no dia 24, celebramos o natal. O Natal é muito mais do que uma celebração relativa a um dia; é o marco central da fé cristã. Nele contemplamos a maravilha da Encarnação: o Deus eterno entrando na história humana, assumindo plena humanidade sem deixar de ser plenamente Deus.
A encarnação é o fundamento da salvação, da revelação divina e da esperança eterna. Nesta lição, veremos as bases bíblicas e teológicas desse evento glorioso e suas implicações espirituais para a Igreja. Não nos deteremos se devemos ou não celebrar o natal, porque já temos a resposta, iremos sim, celebrar todo dia 24 de dezembro a encarnação do Verbo. Nós não celebramos um dia, celebramos a vinda do Senhor em carne a este mundo para nos salvar. O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, cheio de graça e de verdade. (João 1:14). 

I. A PROMESSA DO DEUS QUE VIRIA AO MUNDO

A vinda do Messias foi prometida desde o Antigo Testamento, Deus prometeu que enviaria um Redentor. A vinda do Senhor, em carne, foi para nos redimir, para nos salvar, para nos levar de volta para Deus. Vamos analisar cuidadosamente essa promessa:

1. A primeira promessa – o Protoevangelho

“E porei inimizade entre ti e a mulher… este te ferirá a cabeça.” (Gn 3:15). A palavra “Protoevangelho” significa: Proto – primeiro, Evangelho – Boas novas. Portanto, o que está escrito em Gênesis 3:15 é o Protoevangelho, que significa a primeira boa notícia da salvação. Logo após a queda, Deus anuncia que um descendente da mulher pisaria a cabeça da serpente. O Natal é o início visível do cumprimento dessa promessa. Jesus Cristo nasceu, esse dia marcou o início de nossa redenção, pois o Salvador chegou.

2. A promessa do Emanuel

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e chamará o seu nome Emanuel.” (Is 7:14) “Deus conosco” não é metáfora, mas realidade: Deus escolheu estar presente, habitar entre os homens, ser humano como nós, participar de nossa condição humana. 

“Deus conosco”. Pensar sobre essa maravilha vai além da nossa imaginação, pois o Deus Todo Poderoso, o que vive para sempre, deixou a sua glória no céu, e humilhou-se ao ponto de se tornar homem como nós. ⁷ Mas fez a si mesmo de nenhuma reputação, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. (Filipenses 2:7). 

3. O Rei que nasceria em Belém

A escolha da cidade de Belém foi feita por Deus “De ti sairá o que será Senhor em Israel.” (Mq 5:2). A pequena cidade de Belém, aparentemente insignificante, torna-se o palco do maior acontecimento da humanidade. O profeta em sua profecia diz que Belém Efrata, posto que sendo uma das pequenas cidades, nela nasceria Aquele que iria governar em Israel. Uma profecia falando do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo. ² E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. (Miquéias 5:2).

II. O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO

Deus se fez homem. Esse mistério está além da nossa compreensão humana. A única maneira de entender tudo isso é o amor de Deus por nós. No céu ninguém poderia olhar pra Ele, pois é Espírito, Deus é Espírito. Este Deus Poderoso se fez carne, conhecido eternamente como o Verbo, glória ao seu nome para sempre.

1. O Verbo eterno assume a natureza humana

“No princípio era o Verbo… e o Verbo era Deus” (Jo 1:1). O Evangelho de João começa com a mais importante declaração sobre a eternidade do Senhor Jesus Cristo. O Verbo é Deus, o Verbo estava com Deus (Ele é uma pessoa da Santíssima Trindade). Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada do que foi feito se fez. Glorioso, Santo, Justo, Verdadeiro.
O Verbo não começou em Belém — Ele é eterno, coexistente e coessencial com o Pai.
Em Belém, Ele assume carne: não parece homem, Ele se torna homem. É importante observar que ele se tornou verdadeiramente homem.

2. A união hipostática

Hipostática é um adjetivo que se refere à natureza própria, essência individual ou pessoa de alguém, especialmente quando falamos de Deus.

Nós, do MPFA, cremos que o Senhor Jesus Cristo quando se encarnou, Ele se tornou verdadeiramente homem, sendo verdadeiro Deus.

  • Uma única pessoa.
  • Duas naturezas completas: humana e divina.

Ele não é metade Deus e metade homem, mas totalmente Deus e totalmente homem.
Assim Ele pode:

  • Representar Deus para os homens,
  • Representar a humanidade diante de Deus.

Para melhor entendermos: Jesus Cristo, como homem, sentiu fome, cansaço, sono, sede, tristezas, foi tentado. Como Deus, embora tenha deixado parte de sua glória no céu junto ao Pai (João 17:5), Ele sendo Deus aqui na terra, ressuscitou mortos, curou enfermos, repreendeu o mar, andou por cima das águas, multiplicou os pães, transformou água em vinho e muitas outras maravilhas.

3. Ele nasceu de mulher

“Nascido de mulher, nascido sob a lei.” (Gl 4:4). Se Ele não tivesse nascido de uma mulher pecadora, não poderia ser o nosso substituto, o fato dele nascer de uma pecadora não o torna pecador, porque Ele tem duas naturezas, uma humana e uma divina, Ele só teria pecado se o seu pai fosse José, esposo de Maria.

Como mencionei acima, ele assumiu limitações, fome, cansaço, lágrimas e dores, tudo para nos redimir e se identificar conosco.

III. NOSSA SALVAÇÃO CHEGOU

O Senhor Jesus Cristo veio ao mundo. Ele nos deu a tão grande salvação. Foi sua encarnação que possibilitou o sacrifício. Ele se ofereceu voluntariamente por nós. Vamos verificar como aconteceu.

I. A salvação se torna possível

Sem a encarnação, não haveria cruz; e sem a cruz, não haveria redenção. O nascimento de Jesus não foi um acontecimento isolado ou meramente histórico, mas parte essencial do plano eterno de Deus para a salvação da humanidade.

O anjo declarou a José: “E dará à luz um filho, e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). O próprio nome Jesus significa “O Senhor é salvação”, revelando desde o nascimento à missão redentora do Filho de Deus.

Cristo nasceu com um propósito claro: morrer em nosso lugar. Sua encarnação tornou possível a obra substitutiva da cruz, onde o pecado foi vencido e a reconciliação com Deus foi oferecida à humanidade.

Assim, podemos afirmar com convicção: Deus está no meio de nós. A luz divina brilhou nas trevas do mundo (João 1:9. João 1:14;), trazendo esperança, perdão e vida eterna a todos os que creem.

2. A luz brilha nas trevas

“O povo que andava em trevas viu uma grande luz.” (Isaías 9:2)

A encarnação de Jesus Cristo inaugura uma nova e gloriosa era espiritual na história da humanidade. Deus rompe o silêncio dos séculos e se aproxima do homem de forma visível, palpável e amorosa. A luz eterna entra no mundo obscurecido pelo pecado, pela dor e pela ignorância espiritual. Não se trata apenas de um evento histórico, mas de uma intervenção divina que transforma realidades, corações e destinos.

Onde havia trevas espirituais, a luz de Cristo raiou com poder e graça. Onde reinava a tristeza profunda da alma, a verdadeira alegria chegou, não uma alegria passageira, mas aquela que nasce da comunhão com Deus. Onde antes não havia esperança, surge agora a certeza da redenção, do perdão e da vida eterna. A encarnação revela que Deus não desistiu da humanidade; ao contrário, Ele veio ao nosso encontro.

Cristo é a luz que dissipa o medo, esclarece a verdade e guia os passos daqueles que estavam perdidos. Sua vinda marca o fim da noite espiritual e o início de um novo amanhecer. Tudo mudou quando Ele chegou: a história foi dividida, a esperança foi restaurada e o plano da salvação foi revelado de forma plena.

Por isso, celebramos não apenas o nascimento de um menino, mas a manifestação da Luz do mundo. Glória a Deus nas alturas, porque a luz brilhou nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

3. A humildade exaltada

E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. (Lucas 2:7).

Um rei humano jamais escolheria nascer em um lugar humilde. Os grandes da terra vêm ao mundo em berços caríssimos, cercados de conforto, honra e privilégios. Aqueles que se consideram superiores buscam as melhores maternidades, os ambientes mais seguros e luxuosos, como se a grandeza pudesse ser garantida pelas circunstâncias do nascimento. Para a lógica humana, a realeza combina com palácios, títulos, pompa e reconhecimento imediato.

Mas o Rei dos reis rompe completamente com essa lógica. Jesus nasce em um estábulo, em meio à simplicidade, ao anonimato e à precariedade. Não há ouro, não há corte real, não há aplausos, apenas um cocho, animais e pais obedientes à vontade de Deus. Essa escolha não foi acidental, mas profundamente intencional. A humildade do nascimento de Cristo denuncia a arrogância humana, desmascara o orgulho dos homens e confronta a ideia de que valor, poder e autoridade dependem de status ou aparência.

Ao nascer assim, Jesus ensina que a verdadeira grandeza não está em se exaltar, mas em se humilhar. Ele mostra que Deus não se impressiona com aquilo que os homens chamam de importante. Pelo contrário, o Senhor se agrada da simplicidade, da obediência e do coração quebrantado. A manjedoura se torna um púlpito silencioso que proclama: Deus exalta os humildes e resiste aos soberbos. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Mateus 23:12).

Essa verdade nos chama a uma fé simples, obediente e submissa. Uma fé que não busca reconhecimento, mas fidelidade; que não se apoia em aparências, mas na confiança em Deus. Diante do Cristo que nasce em humildade, somos convidados a rever nossos valores, abandonar o orgulho e aprender que, no Reino de Deus, o caminho da exaltação passa primeiro pela humildade.

4. A paz é oferecida à humanidade

“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra…” (Lc 2:14)

A paz do Natal não é ausência de conflitos, mas reconciliação com Deus, o fundamento de toda paz verdadeira. A expressão “Paz com Deus”, nos fala que todos os homens perdidos precisam da paz com Deus. Antes da vinda do Senhor Jesus Cristo, nós éramos inimigos, mas com a sua encarnação e o sacrifício que Ele fez voluntariamente por nós, é possível a nossa reconciliação. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; (2 Coríntios 5:18).

IV. A RESPOSTA DO HOMEM AO DEUS ENCARNADO

Para nós, das igrejas do MPFA, a encarnação não é apenas um evento histórico a ser contemplado, mas uma revelação divina que exige resposta. Quando Deus se faz carne, Ele não apenas se aproxima do homem, mas o chama a uma reação concreta: adoração, fé e transformação de vida, por isso pregamos o Evangelho Verdadeiro, sem retoques ou arranjos humanos. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. (1 Coríntios 2:2). O Evangelho sem a cruz não é verdadeiro. Quem deseja se apropriar das boas novas de salvação precisa entender o sacrifício de Cristo, e aceitar que a salvação custou muito cara, foi o sacrifício de Cristo por nós. 

1. Adoração

E, tendo nascido Jesus em Belém de Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém. (Mateus 2:1).

Os magos vieram do oriente, um lugar distante, somente para adorar o Rei nascido em Belém. Esses homens, estrangeiros e estudiosos, discerniram nos sinais celestiais que algo extraordinário havia acontecido. Eles atravessaram longas distâncias, enfrentaram perigos e abriram mão de conforto para se prostrarem diante do Menino. Sua atitude revela que a verdadeira adoração reconhece quem Cristo é, independentemente de circunstâncias externas. Eles não adoraram um palácio, mas um menino em simplicidade, ensinando-nos que Deus merece adoração mesmo quando se manifesta de maneira humilde, como ocorreu em Belém, onde o Senhor nasceu para cumprir as profecias. Ele se fez carne. (João 1:14).

2. Os pastores deixaram tudo para ver o Menino.

Pastores eram homens simples, trabalhadores que passavam a noite em vigílias, olhando seus animais, eles viviam uma vida de muito trabalho e sofrimento. Eles foram os primeiros a receber o anúncio dado pelos anjos. Ao ouvirem a mensagem, não permaneceram em seus campos, mas, prontamente foram ao encontro de Cristo. Isso demonstra que a adoração genuína nasce de um coração sensível à revelação divina e disposto a responder imediatamente ao chamado de Deus. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. (Lucas 2:15).

3. Fé e submissão

Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. (Lucas 1:38).

Maria não compreendeu plenamente todas as implicações da promessa divina, mas escolheu crer. Sua resposta expressa uma fé obediente e submissa, que confia no caráter de Deus acima das circunstâncias. Ela se colocou à disposição do plano divino, mesmo sabendo que enfrentaria questionamentos, dor e incompreensão. Quem deseja servir a Deus não fica se perguntando se deve ou não, não volta para sepultar os pais, não olha para trás. 

4. José 

A história de José é interessante, poucos homens na terra teriam a atitude que ele teve. José demonstrou uma fé prática. Ao receber a orientação do anjo, ele decidiu obedecer, assumindo responsabilidades que ultrapassavam sua compreensão humana. Sua submissão silenciosa revela que a verdadeira fé não exige todas as respostas, mas confia naquele que governa todas as coisas. E, pensando ele nisto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. (Mateus 1:20).

5. Vida transformada

O Deus que entra na história deseja entrar no coração. A encarnação revela um Deus que se aproxima, que não permanece distante, mas se envolve com a realidade humana: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Esse mesmo Deus deseja habitar no interior do homem, transformando pensamentos, valores e atitudes, pois “Cristo em vós é a esperança da glória” (Cl 1:27). O Natal sem transformação é apenas festa, mas com Cristo é novo nascimento, conforme está escrito: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas” (2Co 5:17).

Quando o Natal se limita a tradições, símbolos e celebrações externas, perde seu significado mais profundo, pois “este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15:8). Porém, quando Cristo é recebido como Senhor, o Natal se torna um marco de redenção e vida nova, pois “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1:12). A presença do Deus encarnado gera arrependimento, restauração e mudança genuína de vida, como afirma a Escritura: “Arrependei-vos e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (At 3:19).

CONCLUSÃO: Na celebração do natal observamos que Deus, o Todo Poderoso, se fez carne e habitou entre nós. O Emanuel, Deus conosco, veio e deu a sua vida para salvar nossas vidas. Glória a Deus nas alturas. Não substitua a celebração do natal por uma ceia de natal ou coisa parecida, o natal deve sim ser celebrado na igreja para a glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. 

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VALMIR
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