Gerados de Novo

22 de junho de 2025

Versículo-chave:

1 Pedro 2.9: Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

INTRODUÇÃO

Era uma manhã desanimadora na Galileia do século da era cristã, quando um homem apareceu falando sobre fé. Ali, nas primeiras horas do dia, havia um grupo de amigos que se preparava para encarar as consequências de uma noite ruim no trabalho. Eles ainda não sabiam, mas aquele era um encontro marcado, um teste de fé que mudaria suas vidas para sempre.

Às margens do Lago de Genesaré (Mar da Galileia), pescadores cansados limpavam suas redes na qual pegaram apenas galhos e lodo naquela noite. Mas, os peixes que precisavam para o sustento de suas famílias e para pagarem os impostos aos opressores romanos passaram longe daquelas redes. Aquele poderia ser um dos piores dias de suas vidas.

Momentos como aquele afligem diariamente a vida de muitas pessoas, inclusive, crentes em Jesus. O sentimento de fracasso, a sensação de não ter feito o suficiente e o medo de não conseguir honrar os compromissos gritam à consciência dizendo que não somos bons o bastante. O conflito interior é inevitável. São momentos assim que desafiam nossa fé, testam nossa vocação e redefinem quem nós somos.

O evangelista Lucas nos conta no capítulo cinco que o homem que falava de fé naquela manhã era Jesus, o Filho de Deus, e Ele tinha uma palavra decisiva para aqueles pescadores vencidos pela natureza: “Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar” (v. 4). Para a surpresa de uma multidão que estava nas margens do lago, eles pegaram tantos peixes que precisaram de dois barcos para transportá-los.

A experiência técnica do pescador Simão, dono do barco, deu lugar à obediência e à fé na palavra de Jesus. Morria ali o pescador de peixes e nascia o pescador de almas (vv. 8,10). O primeiro desafio de fé foi vencido, mas a vocação estava apenas começando e o novo homem ainda levaria um tempo para ser redefinido. Com a maturidade, Simão foi nomeado Pedro. E é este Pedro que testifica por experiência pessoal que Deus nos gerou de novo (1 Pe 1.23) e nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

GERADOS PELO PODER DA PALAVRA

Dados do Censo 2022, publicados recentemente pelo IBGE, apontam que houve um crescimento no número de pessoas que se declaram evangélicas no Brasil. Em 2010, éramos 21,6 % e agora somos 26,9 % da população. Mas o que isso significa?

Apesar de serem dados iniciais, muitos celebraram. Contudo, esses dados deveriam servir como sinal de alerta para a igreja, por dois motivos principais. Primeiro, se compararmos aos anos anteriores, esse crescimento desacelerou. Segundo, não vemos grandes transformações sociais acontecendo no país que indiquem um avivamento nas proporções prometidas na Bíblia. Será que essa quantidade de evangélicos foi gerada pelo poder do Espírito Santo mediante a exposição da Palavra de Deus?

O apóstolo Pedro foi gerado de novo e escreveu como esta transformação acontece (1 Pe 1.18-25). A morte sacrificial de Cristo na cruz é a razão da redenção do crente. Foi o sangue do Senhor Jesus Cristo que nos libertou da escravidão do pecado e é a sua Palavra pregada no poder do Espírito Santo que transforma. Este é o único caminho para a nação brasileira ser verdadeiramente santa e livre (Jo 8.36). A missão da igreja é garantir que essa Palavra entre em todos os lares do país para gerar novas criaturas.

TRANSPORTADOS PARA A LUZ

O conflito entre luz e trevas é um tema que permeia a história desde que o ser humano passou a existir e faz parte de praticamente todos os contextos religiosos já conhecidos. No entanto, esse conflito entre luz e trevas não se restringe às superstições. É uma realidade com impactos profundos na vida humana desde que o pecado entrou no mundo.

Um exemplo familiar na tradição judaico-cristã é a libertação dos descendentes de Israel da escravidão do Egito sob a liderança de Moisés. Os egípcios acreditavam que existia uma divindade que governava o dia – Rá – e outra que governava a noite – Nut. Viviam assustados com isso e ofereciam sacrifícios constantes em busca de favores dessas divindades. A Bíblia Sagrada deixa claro que o Senhor Deus de Israel prevaleceu contra todas essas crenças e superstições egípcias porque só o Senhor é Deus (Is 42.6-8).

O apóstolo João começa o seu relato nos evangelhos descrevendo Jesus como “a luz que resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1.5). Ou seja, a luz é a própria personificação da natureza de Jesus. Quando o apóstolo Pedro escreve que fomos chamados das trevas para a maravilhosa luz, está declarando na verdade que recebemos da própria essência de Jesus (1 Pe 2.9 – Compare: Jo 8.12; 1 Jo 4.13; 5.12).

CHAMADOS PARA A OBEDIÊNCIA DA FÉ

A pesca maravilhosa revelou o poder de Jesus e sua soberania sobre toda a criação. Ele realiza milagres nos cenários mais improváveis e transforma situações impossíveis em bênçãos abundantes (Mc 7.37; Ef 3.20,21). Porém, faz-se necessário que aqueles que almejam ser alcançados pelo seu poder estejam dispostos a obedecer (Rm 1.5,6).

Mesmo cansado e após uma noite sem pescar nada, Pedro obedeceu à Palavra de Jesus e lançou a rede, o que resultou em uma pesca extraordinária. Isso mostra que a fé e a obediência a Deus podem trazer resultados surpreendentes, mesmo em situações desafiadoras. A pesca maravilhosa fez com que Pedro reconhecesse a divindade de Jesus. O pescador se prostrou diante do Mestre e O confessou como Senhor (Lc 5.8).

Assim como na transformação de Simão pescador em apóstolo Pedro pelo poder da Palavra e do Espírito Santo para a obediência, nós também somos chamados a obedecer como instrumentos para alcançar outras pessoas com o evangelho (Rm 16.25,26).

ENVIADOS PARA ANUNCIAREM

O versículo-chave do nosso estudo declara:  “Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2.9).

Há um propósito na vida de todos aqueles que confessam servirem a Cristo. Esse propósito está revelado em toda a Bíblia de diversas maneiras. E aqui, deixa bem claro que se trata de uma missão: “anunciar as virtudes daquele que vos [a igreja] chamou…”

A primeira pregação para um grande público depois do derramamento do Espírito Santo (Pentecostes) foi feita pelo apóstolo Pedro e houve um grande número de pessoas se convertendo naquela ocasião. Muitos foram batizados e voltaram para seus países já transformados pelo evangelho. Desde então, a igreja não parava de crescer e se espalhou rapidamente pelo mundo conhecido daquela época (Atos 2.37-41,46,47).

Quando Pedro, inspirado pelo Espírito, escreve as duas cartas que levam seu nome no Novo Testamento, é possível perceber a excelência com que ele exerce o ministério que Cristo lhe confiou. A profundidade com que o apóstolo escreve revela o quanto ele tem ciência do seu chamado e da sua disposição para cumprir esse chamado. Não por acaso, ele exorta os líderes da igreja a atentarem na maneira como pastoreiam (1 Pedro 5.1-4).

No entanto, a mensagem não é apenas para os líderes. A primeira carta, inclusive, faz uma exposição relativamente ampla sobre o sofrimento do crente por causa do amor a Cristo (Veja o capítulo 3). O apóstolo leva muito a sério o relacionamento do crente com Deus e com o próximo. Em todos esses assuntos, ele insiste que deve haver perseverança, alegria, santidade e vigilância.

CONCLUSÃO

Igreja de Cristo, somos um povo de Fé em Ação, gerados de novo pelo poder da Palavra e do Espírito Santo. O Deus Onipotente nos transportou das trevas para o seu reino de luz. Agora, andamos na luz do Senhor Jesus Cristo, por isso, somos a geração da luz.

Contudo, para permanecermos nesta graça maravilhosa, precisamos andar em obediência, pois, para isto fomos chamados: uma fé obediente. Além disso, precisamos anunciar as virtudes daquele que nos chamou para fazermos parte desta geração.

A família Fé em Ação recebeu do Senhor a responsabilidade de levar a luz de Cristo a um mundo mau e pecaminoso que não quer Jesus porque suas obras são más. Porém, devemos obediência ao nosso Mestre e devemos perseverar em meio às provações. Por isso, seja um instrumento de obediência, faça parte da geração que resplandece nas trevas até que vejamos o Filho de Deus descendo com seus anjos em glória.

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Sobre o autor

prjosue
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