“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)
INTRODUÇÃO
A Igreja Cristã Pentecostal, é uma igreja missionária, porque missões não são uma opção para nossa igreja, nem um ministério secundário reservado a alguns poucos vocacionados; missões são uma ordem direta e inegociável de Jesus Cristo. Desde o início, o Senhor confiou à sua igreja a responsabilidade de anunciar o evangelho a todas as pessoas, em todos os lugares e em todas as gerações. A Grande Comissão não foi dirigida apenas aos apóstolos, mas à nossa igreja, e nós existimos para glorificar a Deus proclamando a salvação em Cristo, conforme Ele nos ordenou.
Ao ordenar: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15), Jesus deixou claro que a igreja só cumpre plenamente sua missão quando se envolve ativamente na obra missionária. Missões fazem parte da identidade da igreja; são a expressão do amor de Deus pelos perdidos e da obediência do povo de Deus à Sua vontade. Enquanto houver povos sem o conhecimento de Cristo, a tarefa missionária permanece urgente e atual. Dia 04 de janeiro fizemos a nossa oferta para a obra missionária, assim deve ser em todas as igrejas do ministério.
Portanto, a igreja é chamada a fazer missões até que Ele volte, seja indo, enviando, orando ou contribuindo. Negligenciar missões é desobedecer a uma ordem do próprio Cristo; abraçá-las é participar do plano eterno de Deus para a redenção da humanidade. Como é gratificante ouvirmos o testemunho de alguém que foi ganho para Cristo através de obreiros enviados pela obra missionária.
1. O Senhor Jesus Cristo tem autoridade para nos enviar
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mateus 28:18)
A ordem para a igreja fazer missões tem sua base na autoridade suprema de Jesus Cristo. Antes de enviar a igreja, o Senhor declara que toda autoridade lhe foi concedida, tanto no céu quanto na terra. Isso significa que o mandado missionário não é uma sugestão, um conselho opcional ou uma proposta humana, mas um decreto do Rei dos reis e Senhor dos senhores, aquele que venceu o pecado, a morte e o inferno. Tudo isso ele fez por nós e tudo o que fizermos por missões será pouco.
Cristo nos envia com a legitimidade de quem governa sobre todas as coisas. Sua autoridade é absoluta, incontestável e eterna. Quando Ele ordena “ide”, está exercendo o direito que Lhe pertence como Filho de Deus exaltado, diante de quem todo joelho se dobrará (Fp 2:9–11). Portanto, a missão da igreja não depende de circunstâncias favoráveis, recursos abundantes ou aprovação humana, mas da autoridade daquele que envia.
Quem não obedece à ordem missionária está, na prática, desconsiderando a autoridade de Cristo e tratando Sua palavra como algo secundário. Por outro lado, obedecer é reconhecer Seu senhorio e submeter-se voluntariamente à Sua vontade. A igreja que compreende a autoridade de quem envia não questiona se deve fazer missões, mas apenas como e onde obedecer, confiando que o mesmo Senhor que envia também sustenta, capacita e acompanha os seus servos até o fim.
2. Além do Piauí
“…e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.” (Atos 1:8)
O alcance da missão revelado por Jesus demonstra que o plano de Deus é abrangente, progressivo e ilimitado. A obra missionária não se restringe a um único lugar, cultura ou povo, mas se estende até onde houver vidas que ainda não conhecem a salvação em Cristo. Nosso ministério começou no Piauí, fruto do avivamento, mas não significa que devemos fazer missões somente no Piauí. A missão começa perto, no contexto imediato da igreja, mas jamais pode terminar ali. O propósito de Deus sempre foi alcançar todas as nações, tribos, povos e línguas.
Jesus estabelece um modelo claro e equilibrado para a ação missionária da igreja. Jerusalém representa o campo local: a família, a vizinhança, a cidade, o bairro, o ambiente onde o cristão vive e exerce sua fé diariamente. É nesse espaço que o testemunho começa, através da palavra e do exemplo. A igreja que não evangeliza localmente perde sua relevância espiritual.
A Judeia e Samaria simbolizam o alcance regional e transcultural. Judeia fala de áreas próximas, com costumes semelhantes; Samaria, por sua vez, aponta para povos diferentes, muitas vezes marginalizados ou desprezados. Isso ensina que a missão rompe barreiras sociais, culturais, religiosas e históricas, levando o evangelho a todos, sem distinção. Quando falamos em missões, não estamos falando somente da evangelização na própria cidade, mas em outras cidades e estados, e quem cuida desses projetos missionários é o ministério, através da obra missionária.
Por fim, os confins da terra representam o alcance global da missão. Aqui está o chamado para ultrapassar fronteiras geográficas e culturais, alcançando povos não evangelizados. Esse nível da missão envolve envio de missionários, sustento financeiro, intercessão constante e compromisso com a expansão do Reino de Deus no mundo inteiro. Nós ainda não fundamos trabalhos missionários fora do Brasil, mas isso um dia vai acontecer em nome de Jesus.
Assim, a igreja fiel à Palavra entende que missões não são limitadas por distância ou contexto, mas movidas pelo coração missionário de Deus. Onde houver uma alma, ali existe um campo missionário. A missão começa perto, avança adiante e se estende até que toda a terra ouça que Jesus Cristo é o Senhor.
3. Fazer missões é agora
“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14)
A pergunta do apóstolo Paulo revela a urgência inadiável da obra missionária. A salvação está em Cristo, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir depende da proclamação da Palavra de Deus. Isso estabelece uma verdade clara: se a igreja não envia, muitos jamais ouvirão; se ninguém prega, a fé não nasce; e sem fé, não há salvação. A urgência do envio não é apenas uma questão estratégica, mas uma questão eterna. O Senhor está voltando e precisamos agir imediatamente.
Milhões de pessoas ao redor do mundo ainda vivem sem conhecer o nome de Jesus, presas à escuridão espiritual, ao engano e à ausência de esperança. Cada dia sem o evangelho é um dia a mais sem luz, sem perdão e sem reconciliação com Deus. A Bíblia afirma que Jesus é a luz do mundo (Jo 8:12), mas essa luz precisa ser anunciada por meio daqueles que Ele enviou. Eu e você somos responsáveis por divulgar o Evangelho.
O silêncio da igreja não é neutro; ele produz consequências espirituais. Onde a igreja se cala, as trevas avançam. Onde não há proclamação do evangelho, o pecado, o sofrimento e a perdição permanecem. Por isso, a igreja não pode se acomodar, adiar ou justificar a omissão. O tempo é agora, a seara é grande e os trabalhadores ainda são poucos (Mt 9:37–38). Você já pensou em se tornar um missionário?
A urgência do envio nos chama à ação imediata: enviar missionários, sustentar a obra, interceder continuamente e assumir responsabilidade pessoal pela evangelização. Cada crente é chamado a ser um instrumento nas mãos de Deus, lembrando que o amanhã de muitos depende da obediência da igreja hoje. Missões não podem esperar, porque vidas estão em jogo e a eternidade está em curso. Depois que alguém morre sem salvação é mais uma alma que poderia ter sido salva através de missões.
4. Testemunhos dos chamados
4.1. Moisés – Chamado no deserto
Do palácio para o deserto, foi lá que ele foi preparado para ser um enviado. Quando Deus o chamou através da sarça ardente (Êxodo, capítulo 3). Mesmo sentindo-se incapaz, ele respondeu ao chamado e se tornou libertador de Israel, mostrando que Deus chama pessoas comuns para cumprir propósitos extraordinários.
4.2. Isaías – Chamado pela santidade de Deus
A diversidade no chamado é interessante. Vejamos como foi o chamado de Isaías. Ele teve uma visão da glória do Senhor e reconheceu sua própria limitação. Após ser purificado, respondeu prontamente: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8). O chamado nasce quando o coração se rende totalmente a Deus.
4.3. Pedro – Chamado apesar das falhas
O Senhor não chama pessoas perfeitas. Pedro era um simples pescador quando Jesus o chamou. Mesmo tendo negado o Senhor, foi restaurado e se tornou um dos principais líderes da igreja primitiva (Jo 21:15–17), mostrando que o chamado de Deus é maior que os erros do passado. Talvez você esteja querendo que o Senhor te prepare primeiro, e te faça uma pessoa impecável, isso não vai acontecer, Ele te chama agora, como você está.
4.4. Corrie ten Boom (1892–1983)
Durante a Segunda Guerra Mundial, Corrie sentiu-se chamada por Deus a proteger judeus perseguidos pelo regime nazista. Mesmo presa em campos de concentração, manteve sua fé viva e, após a guerra, dedicou sua vida a pregar sobre perdão e graça. Seu chamado foi confirmado no sofrimento e na fidelidade.
4.5. Elisabeth Elliot (1926–2015)
Chamou-se para missões transculturais e serviu entre povos indígenas. Após perder o marido martirizado, permaneceu fiel ao chamado, ensinando sobre obediência, perseverança e confiança absoluta em Deus.
4.6. Helen Roseveare (1925–2016)
Médica missionária na África, foi chamada por Deus para servir em regiões marcadas por guerras e perseguições. Mesmo enfrentando grandes sofrimentos, testemunhou que seu chamado era irrevogável e sustentado pela graça de Cristo.
CONCLUSÃO E APLICAÇÃO
Chegamos ao fim desta lição, mas o assunto sobre o chamado de Deus não se acaba aqui. Missões não são só um assunto para estudar uma vez, é um grito que sai do coração de Deus e encontra resposta em quem tem o coração aberto e disposto. Desde o começo da Bíblia, em Gênesis, até Apocalipse, a gente vê um Deus que procura, chama, envia e salva. O mesmo Deus que disse “Vai” continua dizendo hoje: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Is 6:8).
Aprendemos que missões não dependem de tempo bom, de dinheiro sobrando ou de resultado na hora. Missões dependem de obediência, amor e compaixão. O amor de Cristo aperreia a gente por dentro (2 Co 5:14), tira do comodismo e empurra pro compromisso. Onde muita gente só vê dificuldade, Deus vê campo pronto pra colheita; onde tem dor, Ele vê chance de salvação.
Cada oração feita com fé, cada oferta entregue com amor, cada passo dado pelo Reino é semente plantada na eternidade. Pode ser que a gente não veja logo o fruto, mas o céu anota tudo. Missões é amar quem a gente nem conhece, ir onde a gente nunca pensou em ir e confiar que Deus tá trabalhando, mesmo quando nossos olhos não conseguem ver.
Quando essa lição termina, a gente não pode sair do mesmo jeito que entrou. Que nossos pés estejam ligeiros pra ir, nossas mãos abertas para contribuir e nossos joelhos firmes no chão da oração. Enquanto houver alguém sem ouvir, enquanto Cristo não for conhecido, missões não é escolha, é dever. Que o Espírito Santo continue nos empurrando pra frente, até o dia em que toda nação, todo povo e toda língua conheça o Salvador pela poderosa mensagem do Evangelho. Levando Cristo Onde Ele Ainda Não Foi Anunciado. Na próxima lição continuaremos sobre missões.
