Do coração de Deus para seus filhos
Em janeiro de cada ano, dedicamos o mês a missões. Todas as Igrejas Cristã Pentecostal ministram e trabalham em prol de missões. A primeira igreja fundada pela obra missionária (no sentido completo) foi a igreja em Tianguá-Ceará, no centro. Foi numa escola bíblica dominical que a igreja sede levantou uma oferta e em trinta dias a igreja já estava montada e pronta para funcionar. O primeiro pastor em Tianguá recebeu a igreja no ponto. Desde aquele dia, as igrejas do ministério têm se empenhado em contribuir com missões e muitas igrejas foram fundadas. Nesta lição iremos estudar missões, um projeto divino, que vem do próprio Deus.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
O PRIMEIRO MISSIONÁRIO
O primeiro missionário é Jesus Cristo. Ele é o Filho missionário de Deus, enviado ao mundo por amor à humanidade. Antes que qualquer homem atravessasse mares ou fronteiras para anunciar a salvação, o próprio Pai tomou a iniciativa e deu ao Filho a maior missão de todos os tempos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). A missão começa no coração de Deus e se concretiza na pessoa de Jesus.
Cristo não veio por acaso, nem apenas para ensinar boas obras; Ele veio com um propósito claro: buscar e salvar o que se havia perdido (Lucas 19:10). Ao deixar a glória do céu e assumir forma humana, Jesus atravessou a maior distância possível: do trono à cruz, para cumprir a missão redentora do Pai. Sua encarnação é a prova viva de que Deus é um Deus missionário, que vai ao encontro do pecador.
Durante seu ministério terreno, Jesus revelou o caráter missionário do Reino de Deus. Ele foi ao encontro dos marginalizados, falou com samaritanos, tocou leprosos, acolheu pecadores e anunciou esperança aos quebrantados. Cada passo de Cristo foi guiado pela missão: anunciar o Reino, curar os enfermos, libertar os cativos e proclamar o ano aceitável do Senhor (Lucas 4:18–19). Tudo isso Ele fez com amor, renúncia e perfeição.
Na cruz, a missão alcança seu ponto mais alto. Ali, o Filho missionário entrega a própria vida como resgate por muitos (Marcos 10:45). A ressurreição confirma que a missão foi aceita pelo Pai e que a salvação agora está disponível a todos os povos. Por isso, antes de ascender aos céus, Jesus transfere essa missão à Igreja: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20:21). Agora essa missão é responsabilidade minha e de todos nós.
QUEM VOCÊ GANHOU PARA CRISTO NESSA MULTIDÃO?
Uma grande multidão de salvos estará naquele grande dia diante do Senhor. ⁹ Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos. (Apocalipse 7:9). O número de salvos é tão grande que “ninguém podia contar”. Eles foram ganhos através da pregação do Evangelho, do mais remoto lugar, até os grandes centros. Naquela multidão há salvos que você ganhou ou deveria ter ganhado.
Um dos momentos que marcam nossas vidas como servos de Deus é quando nos encontramos com pessoas que há muito tempo não víamos e elas se identificam dizendo que são nossos filhos na fé. A emoção de encontrar filhos na fé, causa algo tão especial em nossas vidas que não temos palavras para descrever. Fazer missões é ganhar galardão e viver a alegria de no céu encontrarmos com pessoas que ganhamos para Cristo, fazendo missões, tanto indo, quanto enviando, e também contribuindo.
TESTEMUNHOS DE HOMENS E MULHERES QUE SE DOARAM PARA MISSÕES
1. William Carey (1761–1834)
Conhecido como o pai das missões modernas, William Carey deixou a Inglaterra para servir na Índia. Enfrentou extrema pobreza, doenças, a morte de filhos e forte oposição, mas perseverou. Traduziu a Bíblia para vários idiomas locais, fundou escolas e lutou contra práticas injustas como o sacrifício de viúvas. Seu testemunho mostra que obediência a Deus vale mais que conforto pessoal.
2. David Livingstone (1813–1873)
Missionário e explorador na África, Livingstone dedicou sua vida a levar o evangelho, combater a escravidão e abrir caminhos para outros missionários. Passou anos isolado, sofreu enfermidades graves e recusou voltar para casa, dizendo: “Não considero sacrifício dar a vida por Aquele que morreu por mim.” Seu testemunho revela amor profundo pelas almas e compromisso até o fim.
3. Amy Carmichael (1867–1951)
Missionária na Índia, Amy Carmichael dedicou mais de 50 anos de sua vida ao resgate de meninas que eram entregues a templos para exploração. Enfrentou perseguição, críticas e problemas graves de saúde, mas, jamais abandonou o campo missionário. Seu testemunho revela amor sacrificial, compaixão prática e fidelidade inabalável a Cristo.
4. Lottie Moon (1840–1912)
Missionária na China, Lottie Moon abriu mão de conforto, sustento e reconhecimento para alcançar vidas com o evangelho. Viveu em extrema simplicidade e chegou a passar fome para ajudar os necessitados. Seu legado é tão marcante que inspirou a criação da Oferta Missionária de Natal, mostrando que uma vida entregue pode mobilizar gerações inteiras para missões.
SOBRE MISSÕES
Missões não são uma ideia humana, um movimento moderno ou um projeto criado pela igreja. Missões são um plano eterno que nasce no próprio coração de Deus, motivado pelo Seu amor profundo, abrangente e redentor por toda a humanidade. A igreja não cria missões; ela apenas responde ao chamado missionário de Deus.
Desde o Éden, após a queda do homem, Deus é quem toma a iniciativa de buscar o homem: “Onde estás?” (Gn 3:9). Essa pergunta ecoa por toda a Bíblia. A Escritura não conta apenas a história do pecado humano, mas revela a história de um Deus missionário, que vai ao encontro do perdido, restaura, chama, envia e salva.
Quando falamos de missões, não falamos apenas de geografia ou de povos distantes, mas do caráter de Deus. Missões refletem quem Deus é: amoroso, gracioso, misericordioso e interessado em salvar todos os povos. Uma igreja missionária é aquela que se parece com Deus.
ABRAÃO E MISSÕES
Quando Deus chama Abraão, Ele não o chama apenas para formar uma nação privilegiada, mas para ser instrumento de bênção para todas as famílias da terra. O chamado de Abraão já carrega uma dimensão missionária clara e abrangente. Isso nos mostra que o plano de Deus nunca foi exclusivo, mas, inclusivo. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:3).
Missões não começam em Mateus 28 nem em Atos 2. Elas começam em Gênesis. Desde o início, Deus pensou globalmente. Ele escolhe um homem, forma um povo, mas sempre com o propósito de alcançar todos os povos. Israel foi escolhido não para ser um fim em si mesmo, mas um meio para revelar Deus ao mundo.
Toda bênção recebida de Deus traz consigo uma responsabilidade. Deus nos abençoa para que sejamos canal de bênção. Quando a igreja se fecha apenas em si mesma, ela perde sua razão de existir. Uma igreja que só recebe, mas não reparte, se distancia do coração missionário de Deus e corre o risco de se tornar espiritualmente estéril. “Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe… para que se conheça na terra o teu caminho.” (Sl 67:1–2) O Salmo 67 deixa claro: a bênção não é o fim, mas o meio para que os povos conheçam a salvação do Senhor.
O AMOR QUE NOS IMPULSIONA
“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. 2 Coríntios 5:14.
A palavra “constrange” significa impulsionar, pressionar por dentro, dominar completamente. Ou seja, quem experimenta o amor de Cristo não consegue permanecer indiferente diante das almas perdidas. O missionário vai porque o amor de Cristo o move, mesmo em meio a riscos, renúncias e sacrifícios. Missões não são uma opção para quem ama a Cristo; são uma consequência natural desse amor.
Paulo continua o texto afirmando que “um morreu por todos”. A cruz é o fundamento das missões. Se Cristo morreu por todos, então todos precisam ouvir. O amor revelado na cruz gera urgência missionária: não podemos guardar para nós aquilo que custou o sangue do Filho de Deus. Neste ponto, precisamos refletir sobre os cultos evangelísticos ao ar livre, que muitas igrejas do ministério não estão mais fazendo. Tanto esses cultos quanto o evangelismo aos domingos não podem ser negligenciados.
Quem foi alcançado pelo amor de Cristo passa a viver não mais para si, mas para Aquele que morreu e ressuscitou. Em missões, isso se traduz em: ir, contribuir, orar, enviar e viver para o Reino, porque o amor de Cristo nos tira do egoísmo e nos direciona às nações.
O amor de Cristo nos constrange a ultrapassar fronteiras geográficas, culturais, sociais e espirituais. Foi esse amor que moveu homens e mulheres como Amy Carmichael e Lottie Moon, e continua chamando a Igreja hoje para cumprir a Grande Comissão.
O que move um missionário a deixar sua terra, cultura, conforto e segurança não é status, reconhecimento ou aventura, mas o amor de Cristo. É esse amor que constrange, impulsiona, move e sustenta.
O amor de Deus não é seletivo, limitado ou parcial. João 3:16 declara que Deus amou o mundo, não apenas um povo, uma cultura ou uma nação. Esse amor ultrapassa fronteiras, rompe barreiras culturais e vence resistências humanas.
Quem verdadeiramente experimenta o amor de Deus não consegue permanecer indiferente à condição espiritual do mundo. O crente que entende o quanto foi amado passa a amar aquilo que Deus ama: as almas. Missões são, portanto, a resposta prática do amor de Deus ao clamor silencioso de milhões que ainda não ouviram o Evangelho.
Quando a igreja perde o amor pelas almas, ela perde o fervor missionário. Mas, quando o amor de Cristo governa o coração, missões deixam de ser um peso e se tornam um privilégio. “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a vida pelos irmãos.” (1 Jo 3:16).
O PROPÓSITO FINAL DAS MISSÕES
O objetivo final das missões não é apenas a conversão, mas a adoração. Deus deseja ser conhecido, exaltado e adorado por todos os povos da terra. O que João vê em Apocalipse 7 é o cumprimento pleno do plano missionário de Deus: uma multidão multicultural, multirracial e multilinguística adorando o Cordeiro.
Missões existem porque ainda há povos que não adoram a Deus. Quando todos os povos estiverem diante do trono, então a missão terá se cumprido. Até lá, a igreja permanece em movimento, proclamando, enviando e intercedendo.
Isso nos mostra que missões não são apenas uma tarefa temporária, mas fazem parte do plano eterno de Deus. Cada oferta missionária, cada oração, cada envio e cada passo dado em obediência ecoa na eternidade. “Os céus proclamam a glória de Deus.” (Sl 19:1)
Mas Deus escolheu usar a igreja para proclamar Sua glória entre as nações.
RETÓRICAS QUE IMPEDEM AS BÊNÇÃOS EM MISSÕES
1. “Não vamos contribuir porque o ministério não fundou igrejas esse ano.”
Missões não se resumem apenas a plantar igrejas visíveis, mas a obedecer ao envio de Cristo em todas as frentes do Reino.
Marcos 16:15 – “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
1 Coríntios 3:6 – “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento.”
Há tempos de plantar, regar, discipular, traduzir a Bíblia, cuidar de vidas, formar líderes e permanecer onde o campo é difícil.
Nem todo ano resulta em novas igrejas, mas todo ano pode haver fidelidade, semeadura e perseverança. Missões não são medidas apenas por números, mas por obediência.
2. “Não podemos enviar uma oferta porque a nossa igreja precisa.”
Essa é uma das justificativas mais comuns, porém, não encontra apoio bíblico.
2 Coríntios 8:2–4 – Igrejas pobres contribuíram com alegria e liberalidade.
Provérbios 11:24–25 – “A alma generosa prosperará.”
A Bíblia ensina que não é depois que sobra que se oferta, é na fé e na obediência.
Quando a igreja decide reter o que é para missões, ela fecha a porta da provisão, transforma a necessidade em desculpa e troca a fé pelo medo.
Malaquias 3:10 – “Trazei todos os dízimos… e fazei prova de mim.”
Igrejas que sustentam missões não empobrecem, prosperam espiritualmente e materialmente.
Missões:
- não dependem de prédios.
- não se medem apenas por resultados imediatos.
- não são responsabilidade apenas de quem “tem sobra”.
Romanos 10:14–15 – “Como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?”
Contribuir com missões não é opcional, é parte da Grande Comissão.
Negar apoio à obra missionária:
- não é prudência financeira.
- é desalinhamento com o coração de Deus.
CONCLUSÃO
A lição de missões nos conduz ao centro do propósito da Igreja Cristã Pentecostal: viver e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo. Desde o seu nascimento (em Atos 2), a igreja pentecostal não foi chamada para permanecer entre quatro paredes, mas, para transbordar, alcançar, enviar e sustentar a obra missionária até os confins da terra.
Missões não são um departamento da igreja, mas a razão da sua existência. Uma igreja cheia do Espírito Santo é, inevitavelmente, uma igreja missionária. O mesmo Espírito que batiza, renova e concede dons é aquele que impulsiona o envio, desperta compaixão pelas almas e gera compromisso com a Grande Comissão.
A igreja cristã pentecostal compreende que missões não se fazem apenas com palavras, mas com oração, ação e contribuição fiel. Mesmo em meio a desafios, aprendemos que obedecer à voz de Deus precede qualquer circunstância financeira ou estrutural. Onde há fé, Deus supre; onde há envio, Deus opera; onde há semeadura, Deus dá crescimento.
Concluímos, portanto, que cumprir missões é honrar a Cristo, cooperar com o avanço do Reino e demonstrar que o fogo pentecostal continua aceso. Que a igreja permaneça sensível ao Espírito, fiel ao chamado e comprometida em proclamar que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e em breve voltará. Que até Ele voltar, sejamos uma igreja que vai, envia e sustenta missões, para a glória de Deus.
Deus abençoe
Janeiro é o primeiro mês que devemos enviar a oferta para a Obra Missionária.
