Texto base: Mateus 6:10
Introdução: A palavra submissão costuma carregar um peso negativo no nosso vocabulário moderno, sugerindo fraqueza ou anulação. No entanto, no contexto bíblico e espiritual, ela é um conceito de alinhamento e confiança.
Em termos práticos, submeter-se à vontade de Deus significa três coisas principais:
1. Colocar-se “Sob a Missão”
A palavra vem do latim sub (sob) + missio (missão). Significa, literalmente, colocar a sua vida abaixo da missão de outra pessoa.
Significado: Você reconhece que Deus é o “Arquiteto” e você é o “Construtor”. Você não desiste de agir, mas decide que as suas ações servirão ao projeto d’Ele, e não apenas aos seus desejos pessoais.
2. A Troca do Controle pela Confiança
Submeter-se é admitir que a nossa visão é limitada. Enquanto nós olhamos para o agora, Deus olha para a eternidade.
O Princípio: É como estar em um navio durante uma tempestade. Submissão não é pular no mar, mas confiar que o Capitão conhece a rota melhor do que você, mesmo quando as ondas parecem altas demais.
3. Obediência Ativa, não Passiva
Muitas pessoas confundem submissão com “deixar a vida me levar” (fatalismo). Mas a submissão bíblica é uma escolha ativa:
Escolha: Você decide obedecer aos princípios de Deus (honestidade, amor, perdão) mesmo quando seria mais fácil ou vantajoso fazer o contrário.
Exemplo: Perdoar alguém que não merece não é um sentimento, é um ato de submissão à ordem de Deus de amar o próximo.
Na prática, como isso se manifesta?
Para saber se você está submetido à vontade de Deus, você pode observar como reage quando os seus planos dão errado:
| Atitude de Resistência | Atitude de Submissão |
| Ansiedade extrema por querer controlar o futuro. | Paz, sabendo que Deus está no controle. |
| Murmuração e reclamação contra as circunstâncias | Gratidão e busca por aprendizado na prova. |
| Forçar portas que estão claramente fechadas. | Espera paciente e busca por uma nova direção. |
“A submissão não é o fim da nossa vontade, mas a harmonização da nossa vontade com a vontade perfeita de Deus.”
Para entender a submissão na prática, nada melhor do que observar a trajetória de quem caminhou com Deus. A Bíblia nos mostra que submeter-se raramente é fácil, mas sempre gera frutos que permanecem.
Aqui estão três exemplos bíblicos fundamentais que ilustram diferentes facetas da submissão:
1. Maria: A Submissão como Disponibilidade
Quando o anjo Gabriel anunciou que Maria daria à luz ao Messias, ela tinha motivos para temer (pelo julgamento da sociedade, pelo risco de morte e pela mudança radical de vida). Sua resposta é o maior exemplo de entrega voluntária.
A Atitude: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1:38).
A Lição: Submissão é dizer “sim” para o plano de Deus, mesmo quando você não entende todos os detalhes do “como” isso vai acontecer.
2. José no Egito: A Submissão na Adversidade
A vida de José foi marcada por injustiças: vendido pelos irmãos, acusado falsamente e esquecido na prisão. No entanto, ele nunca se rebelou contra Deus. Ele se submeteu ao “processo” doloroso.
A Atitude: Anos depois, ele declarou aos seus irmãos: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gênesis 50:20).
A Lição: Submissão é confiar que Deus está escrevendo uma história maior, mesmo quando o capítulo atual parece um desastre. É manter a integridade onde quer que Deus te coloque.
3. Abraão: A Submissão como Renúncia
Deus pediu a Abraão que deixasse sua terra e parentela para ir a um lugar desconhecido e, mais tarde, pediu que entregasse seu filho Isaque.
A Atitude: Abraão não discutiu; ele “levantou-se de madrugada” para obedecer (Gênesis 22:3).
A Lição: Submissão é um teste de prioridade. Significa que nada — nem mesmo nossas maiores conquistas ou pessoas amadas — é mais importante do que a nossa lealdade a Deus.
O Ciclo da Submissão Bíblica
Para visualizar como a submissão funciona na vida do cristão, imagine este processo contínuo:
Revelação: Deus mostra o caminho (através da Bíblia ou circunstâncias).
Conflito: Nossa vontade entra em choque com a d’Ele.
Confiança: Escolhemos acreditar no caráter de Deus acima dos nossos sentimentos.
Ação: Obedecemos de forma prática.
Paz: O resultado é o descanso no propósito divino.
